quarta-feira, 11 de abril de 2012

Mulheres Assassinas

Durante essa semana eu fiquei pensando na função que esse blog exerce. Ou que deveria exercer. Em sua responsabilidade perante vocês que me lêem. Mas, sei lá, me incomoda um pouco essa idéia de manter aqui um site que propaga exemplos positivos de mulheres que se destacam em belas e nobres causas. Acho que fica faltando alguma coisa. Talvez sujeira. Por exemplo, vcs se lembram quando eu escrevi sobre as meninas do Forty Elephants? Não é motivo de orgulho ser parte de uma gangue, mas é bacana ver mulheres ocupando espaços que são históricamente ocupados por homens.

Ou seja, aqui nem sempre vcs encontrarão mulheres exemplares. Nem todas honraram realmente o rolê. Um exemplo recente é o da Yoani Sánchez, que criou uma certa polêmica entre alguns amigos de esquerda. Talvez ela não honre o rolê, mas ainda é uma figura feminina importante.

Ok, mas pq tanta lengalenga hoje?

É pq eu vou falar sobre Mulheres Assassinas. Ou melhor: Mulheres Assassinas em Série (desse jeito mesmo, em maiúsculo). São mulheres que não devem ser admiradas. São seres humanos bem escrotos e descartáveis. Mas é inegável que seus nomes estão escritos na História (mesmo que seja com sangue alheio). Vou falar de apenas 10 agora. Depois eu volto e faço outros posts.


Condessa Erzsébet Báthory (1560-1614)
Quantos Matou: mais de 500

Erzsébet Báthory foi uma condessa húngara obcecada pela beleza. Era conhecida como "A condessa sangrenta" ou "A condessa Drácula". Vaidosa, Erzsébet ficou noiva do conde Ferenc Nadasdy aos onze anos de idade, com quem casaria 4 anos mais tarde. O conde era militar e, frequentemente, ficava fora de casa por longos períodos. Nesse meio tempo, Erzsébet cuidava dos assuntos do castelo do marido. Foi a partir daí que suas tendências sádicas começaram a serem reveladas - com o disciplinamento de um grande número de empregados, principalmente mulheres jovens. Qualquer motivo era desculpa para ela infligir castigos, deleitando-se na tortura e na morte de suas vítimas. Espetava alfinetes em vários pontos sensíveis do corpo das suas vítimas, como sob as unhas. No inverno, executava suas vítimas fazendo-as se despir e andar pela neve, despejando água gelada nelas até morrerem congeladas. O marido de Báthory juntava-se a ela nesse tipo de comportamento sádico e até lhe ensinou algumas modalidades de punição: o despimento de uma mulher e o cobrimento do corpo com mel, deixando-o à mercê de insetos.



O conde Nadasdy morreu em 1604 e a partir daí a Condessa foi arrumando novos parceiros no crime. No início do verão de 1610, as primeiras investigações sobre os crimes de Erzsébet Báthory começaram. Ela foi presa no dia 26 de dezembro daquele ano e em 7 de janeiro de 1611 foi apresentada uma agenda encontrada nos aposentos de Erzsébet, a qual continha os nomes de 650 vítimas, todos registrados com a sua própria letra. Seus cúmplices foram condenados à morte, sendo a forma de execução determinada por seus papéis nas torturas. Erzsébet foi condenada à prisão perpétua, em solitária. Foi encarcerada em um aposento de um castelo sem portas ou janelas. A única comunicação com o exterior era uma pequena abertura para a passagem de ar e de alimentos. A condessa permaneceu aí os seus três últimos anos de vida. Uma das famosas lendas que circulam sobre sobre sua figura é que se banhava em sangue. 


A cabeça da Condessa
Pra saber mais, veja biografia mais completa na Wikipedia, ou veja o filme de feito em 2008, A Condessa de Sangue, disponível no youtube (dublado em portugês). 


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 Darya Saltykova (1730-1801)
Quantos Matou: Por volta de 138.

Saltykova foi uma jovem nobre de Moscou que se tornou conhecida por torturar e matar mais de 100 servos (em sua maioria mulheres e garotas). Darya Saltykova casou-se jovem, teve dois filhos e enviuvou aos 26 anos. Dessa forma, ela herdou não apenas muita terra, mas um número considerável de servos. Tornando-se senhora de suas terras, Darya recebeu da corte real russa o direito de torturar e matar seus servos sem que nenhuma punição recaísse sobre seus ombros. No entanto, parentes das mulheres mortas por ela levaram uma petição até a imperatriz Catarina II, que decidiu julgar Saltykova publicamente pela sua iniciativa ilegal. A nobre foi presa em 1762 e assim ficou por seis anos, enquanto as investigações sobre o caso corriam. A investigação contou no mínimo 138 mortes suspeitas. Ela foi considerada culpada de ter matado 38 servas por batê-las e torturá-las até a morte. Em 1768, Saltykova foi acorrentada a uma plataforma em Moscou por uma hora com os seguintes dizeres em volta do pescoço: “Esta mulher torturou e matou”. Muitas pessoas vieram vê-la durante a hora que ela ficou exposta. Depois, Darya Saltykova foi encarcerada em um convento.

Para mais informações, veja sua página na Murderpedia (em inglês).


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Miyuki Ishikawa (1897-?)
Quantos Matou: 103.

Foi uma parteira japonesa, diretora da maternidade no hospital Kotobuki. Na década de 40, ao se deparar com muitos bebês abandonados por pais pobres, e sem auxílio social do governo, decide matá-los. Em pouco tempo, passou a lucrar com a morte das crianças, que eram encomendadas pelos pais. Acredita-se que ela seja a serial killer que mais assassinou bebês no mundo. Miyuki não agia sozinha: ela tinha a ajuda de vários cúmplices. Estima-se que ela tenha matado entre 85 e 169 crianças (a maioria iria ser abandonada pelos pais após o nascimento), mas dados oficiais asseguram que o número total de vítimas é 103. Os crimes começaram a vir a tona quando 5 corpos de suas vítimas foram acidentalmente descobertos em janeiro de 1948. Autópsias feitas nos bebês mostraram que eles não haviam morrido de causas naturais. Ela foi presa em janeiro de 1948, e em seu julgamento alegou que a responsabilidade era dos pais das crianças. Foi então condenada a 8 anos de prisão por negligência.



O incidente é lembrado como a principal causa de o governo japonês começar a considerar a legalização do aborto no Japão, o que de fato ocorreu um ano depois. Foi apelidada de A Parteira Demônio. 

Para mais informações, veja a wikipedia em inglês, e sua página na Murderpedia


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Delfina González (? - 1968) e María de Jesús González (? - anos 90?)
Quantos Matou: 91.

Conhecidas como “Las Poquianchis”, as irmãs mexicanas se instalaram no Rancho El Ángel, também chamado de “bordel do inferno”. A polícia deteve uma mulher de nome Josefina Gutiérrez, procurada por suspeita de sequestrar jovens garotas na área de Guanajuato. Durante o depoimento, ela implicou as duas irmãs Gónzalez no esquema. Oficiais de polícia procuraram pelas duas irmãs na propriedade e encontraram os corpos de 11 homens, 80 mulheres e vários fetos, um total de mais de 91. Investigações revelaram o esquema – elas recrutariam prostitutas por meio de anúncios. Quando as prostitutas ficavam muito doentes, prejudicadas por repetidos estupros, perdiam a boa aparência ou deixavam de agradar os frequentadores, as irmãs as matavam. Delfina e María também costumavam matar os frequentadores do bordel que exibiam muito dinheiro. Julgadas em 1964, as irmãs González foram sentenciadas a 40 anos de prisão cada uma. Na cadeia, Delfina ficou louca porque temia que pudesse ser morta por protestantes furiosos. Acabou por morrer em um acidente: em 1968, um trabalhador que fazia reparos em sua cela derrubou, acidentalmente, um balde de cimento em sua cabeça. María cumpriu sua sentença e logo após ganhar liberdade, sumiu, ao lado de um homem de 64 anos que conhecera na prisão. Ela teria morrido em fins dos anos 90 já com idade avançada. É interessante citar que elas não cometeram todos esses crimes sozinhas: elas foram ajudadas por outras duas irmãs, Carmen e María Luisa. A primeira morreu na cadeia, de câncer; já María Luisa morreu sozinha em sua cela em 19 de novembro de 1984. Seu corpo, já comido por ratos, só fora descoberto um dia depois.



Este documentário está em espanhol, e esclarece bastante a história das irmãs (doc. em 5 partes)

Para saber mais, veja página na Murderpedia. Há ainda dois filmes baseados neste caso: The Devil`s Sisters e Las Poquianchis.





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Amy Archer-Gilligan (1873-1962)
Quantos Matou: 48.

Amy Archer-Gilligan foi uma enfermeira, proprietária de uma casa de repouso. Inicialmente, ela matou 5 pessoas por envenenamento. Uma delas era seu segundo marido, Michael Gilligan, as demais eram pacientes. Estima-se que outras 43 pessoas tenham sido mortas por Amy, já que as mortes ocorreram em sua casa de repouso. Parentes dos pacientes acharam as mortes suspeitas – todas ocorridas em apenas 5 anos. Investigações foram feitas na casa e arsênico foi encontrado. A enfermeira alegou que o veneno havia sido usado para matar roedores, mas quando os corpos do segundo marido e dos clientes foram exumados, foi encontrada grande quantidade de arsênico. Amy foi presa em 1917 e condenada à prisão perpétua. Morreu na prisão em 1962, aos 89 anos.

Para saber mais, sua página na Wikipedia e na Murderpedia.


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Belle Gunness (1859-1908 ?)
Quantos Matou: Mais de 40.

Belle Sorenson Gunness foi uma das mais famosas mulheres Serial Killer na história dos EUA. Nascida na Noruega, mudou-se pros EUA aos 22 anos, onde se casou e vivia dando golpes no seguro (incendiando suas casas e pegando o dinheiro da seguradora). Suspeita-se que ela matou os maridos que teve e todos os seus filhos. Porém, ela é mais conhecida por ter matado todos os seus namorados e duas de suas filhas, Myrtle e Lucy. Tudo indica que grande parte das mortes eram ligadas a interesses financeiros, como benefícios de seguro de vida por morte e afins. Em 1908 sua casa pegou fogo, e a polícia encontrou 4 corpos. Um deles, com a cabeça separada do corpo, foi atribuído à Belle. Mas até hoje há muita gente que diz que aquele não era o corpo dela. Que ela enganou todo mundo e vazou dali. Escavações feitas em seguida em seu quintal revelaram mais de quarenta corpos de homens e crianças, mortos no decorrer de várias décadas.

Para saber mais, veja sua biografia na Wikipedia brasileira, surpreendentemente completa. Vale a pena, pq há muita coisa sobre ela lá. Neste site vc encontra várias fotos dela. 


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Vera Renczi (1903? - ?)
Quantos Matou: 35.

Não se sabe ao certo se nasceu na Romênia ou na Hungria. Sua data de nascimento é 1903, mas é possível que ela tenha nascido em fins do séc. XIX. Sua mãe morreu quando ela tinha 13 anos, e ela se muda para a Iugoslávia com o pai. Vera foi uma criança inquieta. A partir dos 15 anos passa a fugir constantemente de casa, sempre na companhia de namorados mais velhos que ela. Casou-se com um empresário mais velho e teve um filho com ele, Lorenzo. Mas seu ciúme era incontrolável, e, desconfiando que seu marido era infiel, botou arsênico no vinho dele. Contou à família que ele a havia abandonado. Com o segundo marido foi a mesmíssima história. E logo depois, seu filho também "foi embora". Então ela parou de se casar e passou os anos seguintes saindo com homens, se enciumando, e posteriormente os matando. Até que a esposa de um de seus amantes - que havia desaparecido - a denunciou pra polícia, que encontrou em seu porão os corpos de 32 homens, em diferentes estados de decomposição. Além deles, Vera confessou a morte de seus dois maridos e de seu filho. 

Vera foi condenada a prisão perpétua, por seus 35 assassinatos, e permaneceu na prisão até sua morte. 

Para mais informações, veja a Wikipedia


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Jane Toppan (1854-1938)
Quantos Matou: 31

Nascida Honora Kelley, Jane provinha de uma família com histórico de sérios problemas mentais. Em 1901, ela confessou ter matado 31 pessoas. Conta-se que seu maior desejo era o de matar mais pessoas que qualquer homem ou mulher já pensou em matar. Em 1885, Jane Toppan iniciou um curso de enfermagem no Hospital de Cambridge e foi nesse período que ela experimentava morfina e atropina em porcos, a fim de ver o que essas substâncias seriam capazes de fazer aos seus sistemas nervosos. É sabido que Jane abusava sexualmente de pacientes próximos à morte, com a intenção de “ressuscitá-los”. Ela misturava uma combinação de drogas e os dopava; a seguir os deitava em uma cama e abraçava seus corpos enquanto eles morriam. Jane começou a envenenar em 1895, quando matou o dono da casa onde morava. Quatro anos depois, ela matou sua irmã de criação, Elizabeth, com uma dose de estricnina. Em 1901, Toppan mudou-se com seu irmão mais velho, Alden Davis, e sua família para cuidar dele após a morte de sua mulher (que ela mesma assassinou). Semanas depois, ela matou Davis e duas de suas filhas. Ela voltou então para sua cidade natal e começou a namorar o marido de Elizabeth. Jane matou a irmã dele e o envenenou. Como o assassinato não se consumou, ele a expulsou de casa. Nesta época, os membros sobreviventes da família de Alden Davis pediram um exame toxicológico no corpo de sua filha mais nova. O resultado obtido foi o de que ela havia sido envenenada, o que levou autoridades locais a prenderem Jane Toppen por assassinato. Ela foi julgada inocente por razões de insanidade mental e sentenciada a permanecer internada pelo resto da vida em um sanatório.

Para saber mais, veja a Wikipedia brasileira, e a Murderpedia.


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Maria Swanenburg (1839-1915)
Quantos Matou: 27.

Apelidada de “Goeie Mie” - em holandês “Boa Mie” - por cuidar de crianças e adultos doentes - Maria Swanenburg envenenou 27 pessoas com arsênico entre os anos de 1880 e 1883. Seu plano de matar mais pessoas acabou quando ela tentou envenenar outros 50, valendo-se do mesmo método. A assassina era motivada pelo dinheiro do seguro de vida que receberia das vítimas, de quem cuidava. Sua primeira vítima foi sua própria mãe, em 1880, ano em que ela também matou seu pai. Maria foi presa quando tentava envenenar a família Groothuizen, em dezembro de 1883. Foi condenada à prisão perpétua.

Uma biografia mais completa você encontra neste site.


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Mary Bell (1957 -  )
Quantos Matou: 2.

Calma, gente. Talvez não dê pra chamar Mary Bell de serial killer, mas sua fama vem de sua precocidade. Ela é considerada a mais jovem homicida da história. Filha de uma prostituta mentalmente perturbada que tentou matá-la na infância, foi estuprada dos 4 aos 8 anos por um padrasto. Quando tinha 10 anos, Mary asfixiou um menino de 3 anos, jogando seu corpo do segundo andar de uma casa abandonada. Quando estava com 11, matou um garoto de 4 anos, também estrangulado, furando suas coxas, genitais, e furando  a letra M em sua barriga. Foi então presa, e liberada aos 23 anos. Hoje vive com o marido e a filha. 


Um documentário de 50 minutos sobre o caso (só em inglês).

Para saber mais, veja esta ótima matéria do Criminologia e Psicologia Forense sobre o caso. Há também a página da Wiki.


8 comentários:

  1. Post muito interessante, curti!
    Parabéns por inovar.

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  2. A foto não é de Mary Bell, é de um menino britânica de 10 anos, Jon Venables de Liverpool, também assassina, por matar outra de 3 anos colocando ele no trilho de um trem, juntamente com seu amigo da mesma idade...

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  3. Opa,
    valeu pelo toque, Charlie. Vou verificar as fontes e corrigir a foto.

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  4. Bom post, parabéns.
    Eu gostaria mostrassem as referências em todas as postagens, é uma dica e um pedido ao mesmo tempo, pois sou curiosa quando leio algo interessante.

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  5. Pena que a parte que fala sobre Isabel Bathory tenha sido tão superficial. Apenas se baseando na história "oficial", que nem sempre é confiável. Como esta escrito no próprio wikipédia - "No julgamento de Isabel, não foram apresentadas provas sobre as torturas e mortes, baseando-se toda a acusação no relato de testemunhas. Foi encontrado um diário no quarto da condessa, no qual estavam registrados os nomes de cada vítima de Báthory com sua própria letra. É de destacar, também, que as confissões dos cúmplices de Báthory acerca dos crimes desta foram obtidas sob tortura. Após sua morte, os registros de seus julgamentos foram lacrados porque a revelação de suas atividades constituiriam um escândalo para a comunidade húngara reinante. O rei húngaro Matias II proibiu que se mencionasse seu nome nos círculos sociais." E adivinhem quem tomou posse de todas as propriedades que pertenciam a ela? Os mesmos homens que a condenaram.

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