Estou no trabalho, com um baita sono. Vontade gigante de voltar pra cama e dormir a tarde toda. Preciso de algo que me acalme o olhar. Por isso hoje eu vou falar sobre a Grazi.
Uma das pouquíssimas pessoas a participar o big brother e ter uma carreira decente, Grazi é um tipo de unanimidade aqui no nosso país. Todo mundo gosta dela. Talvez seja o seu jeitinho de garota do interior, talvez seja a sua beleza pacificadora, ou mesmo sua suave gentileza. Enfim, até o marido dela é um cara legal, o Cauã Reymond.
Nascida em 1982, no interior do Paraná, Grazielli Soares começou nas passarelas aos cinco anos de idade. Não que sua família tivesse alguma tradição nisso, já que seu pai era pedreiro e sua mãe costureira. Mas a família sempre a ajudou nessa trajetória. Na adolescência, destacou-se como rainha de festas agropecuárias, e em 2004 foi eleita Miss Paraná.
Em 2005 participou do big brother, conquistando o segundo lugar (venceu o professor e hoje deputado federal Jean Wyllys). A partir daí começou sua vida de queridinha do Brasil. Uma pancada de capas de revista, campanhas publicitárias, e a playboy mais vendida entre 2005 e 2010. Convidada por Manoel Carlos para participar da novela Páginas da Vida, começou a fazer oficina de atores na globo.
Em 2007, começou a namorar o também ator Cauã Reymond, que é sem dúvida um dos melhores atores de sua geração. Em 2008 foi protagonista de uma novela escrita por Miguel Falabella, trabalho elogiado por crítica e público. Desde então seu trabalho na globo vai muito bem, obrigado. No final de 2011 anunciou sua gravidez, e a pequena Sofia é aguardada pra logo menos.
Nair de Teffé von Hoonholtz nasceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em 1886. Foi uma pintora, cantora, pianista, atriz e primeira dama. Mas ganhou fama por ser considerada por vários intelectuais e artistas como a primeira caricaturista mulher do mundo.
Nair de Teffé, por Ubirajara Mota Lima Ribeiro
Filha de um rico barão e neta de um conde, Nair fez seus estudos na França. Quando voltou ao Brasil, por volta dos vinte anos, iniciou seu trabalho de caricaturista, que eram publicados em diversos jornais da época. Assinava como Rian (que é seu nome ao contrário, ou 'nada' em francês). De espírito inquieto, protagonizou a peça de Coelho Neto, "Miss Love', obtendo grande sucesso. Em seguida trabalhou no elenco de Leopoldo Fróes e criou a Troupe Rian, montando peças de diversos autores nacionais. A renda desses espetáculos era destinada à construção da igreja matriz, a hoje Catedral do Rio de Janeiro.
Sempre que se apresentava no teatro, ou em rodas literárias, era acompanhada da família, que a acompanhava e apoiava. Em 1914 se casou com o presidente da república, o Marechal Hermes da Fonseca. Ela parou com as caricaturas, mas não sossegou. Organizava vários saraus no Palácio do Catete, que contava com muita música popular, incluindo os sons de sua amiga Chiquinha Gonzaga. Isso era um escândalo pra elite da época, que só aceitava música européia nos círculos mais seletos.
Quando acabou o mandato do marido, foi passar um tempo na Europa. Voltou pra participar da Semana de Arte Moderna, e fixar residência permanente no Brasil. Com a morte do Marechal, dedicou-se à literatura, tornando-se presidente da Academia de Ciências e Letras, que mais tarde tornou-se Academia Petropolitana de Letras.
Nair de Tefé no solar de seu pai, em Petrópolis, sendo retratada pelo pintor francês Guirand de Scevola.
Em novembro de 1932, fundou o Cinema Rian, na Avenida Atlântica, em Copacabana.
Foi somente aos 73 anos que Nair voltou a fazer caricaturas. Escreveu seu livro de memórias aos 88 anos. Morreu em 1981, aos 95 anos.
E agora, enfim, uma pequena galeria de caricaturas de Nair.
Taí uma figura onipresente na infância de qualquer um que nasceu entre o início dos oitenta e meados dos noventa. Se não fosse assistindo ao seu programa pelas manhãs, certamente era na festinha de algum amiguinho, onde a fita do show da Xuxa tocava sem descanso. Ainda na ativa no rolê artístico, Xuxa é uma figura que mudou muito com o tempo. Vale então dar uma acompanhada nesses caminhos e descaminhos.
Maria da Graça Meneghel, nascida em março de 1963, no Rio Grande do Sul. Aos sete anos se mudou com a família pra um subúrbio do Rio de Janeiro. Aos 15 anos foi abordada por um empresário de moda, que a convidou a tentar ser modelo. E nessas campanhas e trabalhos publicitários que Xuxa conheceu o Pelé.
Pelé e Xuxa começaram a namorar quando ela tinha 17 e ele 40. Seu trabalho de modelo, que já tava caminhando bem, deu uma guinada com a popularidade de Pelé. Seus contatos profissionais se multiplicaram, e só em 1980 ela fez 80 capas de revista. Xuxa e Pelá ficaram no total 6 anos juntos.
Em 1982 sua popularidade estava em alta. Fazia aparições no programa dominical dos trapalhões, e no programa de sábado do Jô Soares, o Viva o Gordo. Neste ano fez um ensaio pra Playboy e uma participação no filme Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khouri. Gostaria de falar um pouco mais sobre esse filme, pois é muito comum ouvir por aí que a Xuxa fez um filme pornô. Porra, isso é uma puta ignorância. Amor Estranho Amor é um drama sério, adulto, que lida com as memórias de um personagem que ainda não se libertou de seu complexo de Édipo. Além de toques freudianos, o filme é muito marcado pelo cinema existencialista do Antonioni. Enfim, Khouri foi um dos grandes mestres de nosso cinema. É no mínimo deprimente ver sua obra diminuída a um mero pornô [o filme completo, com qualidade ruim, pois nunca foi remasterizado, vai a seguir].
Nos anos 90, ela comprou os direitos do filme, que teve a maioria de suas cópias recolhidas. Até hoje o filme pertence a ela.
O que parece que se esqueceu é que a figura da Xuxa, nesse início de carreira, era altamente erotizada.
Até seu primeiro programa de tv, o Clube da Criança, na Manchete, de 1983, era bem erotizado, com aquelas roupinhas curtas e talz. E isso continuou em 1986, com o Xou da Xuxa, na globo. Tinha até aquela marquinha de batom que ela deixava na molecada, vcs lembram? E as paquitas!!!
Foi na globo que ela começou a ser chamada de Rainha dos Baixinhos.
No início de seu programa na Manchete, Xuxa gravava aos finais de semana e voava pra Nova Iorque nos dias úteis pra trabalhar como modelo. Já na globo seu programa era diário, e foi aí que seus discos foram lançados e tiverem vendas brutais. Mesmo. Vendeu muito.
Voltando pro cinema, Xuxa ainda fez o filme Fuscão Preto, de 83, a alguns filmes com os Trapalhões, que levavam multidões aos cinemas. Até que em 1988 ela fez o supremo Super Xuxa Contra Baixo Astral, uma aventura inventiva e divertida, contracenando com o grande comediante Guilherme Karan. Sucesso absoluto de público.
Mas foi em 1990 que seu maior sucesso foi lançado: Lua de Cristal, uma cópia descarada do filme Labirinto, que fora estrelado pelo David Bowie em 1986 [incrível, achei o filme completo no youtube, dá pra curtir fácil fácil].
Enfim, o que dizer mais que isso? Xuxa é uma fábrica de fazer dinheiro. Brinquedos, discos, roupas, vídeos. Seus filmes com os trapalhões sempre arrebentaram na bilheteria. A partir de 1999, com Xuxa Requebra, seus filmes são garantias absolutas de rendimento.
Em 1998 sua primeira e única filha nasceu, Sasha, o planejado resultado de seu romance com Luciano Szafir. Xuxa segue com seus programas na globo, seu ativismo pelos direitos das crianças e dos animais, lançando vez ou outra algum vídeo pra molecada, que, claro, vende horrores.