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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Sara Sonaya



Galera,
eu simplesmente não consigo parar de ouvir essa mulher.

Eu sei, ela não canta bem. Mas isso é o de menos. A música aqui existe pra externalizar uma dor muito forte, uma alma sofrida, maltratada. Isso pra mim é que é música de verdade. Não foi feita pra ganhar dinheiro, mas pq era absolutamente indispensável cantar.

Nada se sabe sobre a vida de Sara. Na internet só existem duas músicas dela, Vamos Desquitar e Manequim Procurado, descobertas graças a um compacto emprestado de uma professora de biologia para seu aluno, por volta de 2008.

Essa é a primeira música, Vamos desquitar.


E aqui a outra, Manequim Procurado:


Enfim, é isso. Fico pensando se Sara ainda está viva, onde mora, sei lá, se existem mais músicas. Por enquanto, fico ouvindo e reouvindo essas duas pérolas de dor e coração partido.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Billie Holiday



Billie Holiday.

Também conhecida como Lady Day.

A musa suprema do Jazz.


Eleanor Fagan Gough nasceu em Baltimore, em 1915. Seu pai era um guitarrista e banjonista de apenas quinze anos, que abandonou a filha pequena pra cair no mundo, fazendo seu som. Sua mãe tinha treze anos, e durante os dez primeiros anos da filha a deixava com amigos e vizinhos pra poder trabalhar.



Billie fugia frequentemente da escola, e antes dos 10 anos foi enviada pra um reformatório católico, onde permaneceu por nove meses. Saiu, e foi ficar sob cuidados de um vizinho, enquanto a mãe viajava trabalhando. Quando retornou, a mãe descobriu que o vizinho, Wilbur Rich, estava estuprando sua filha. Ele foi preso e a menina mandada novamente pro reformatório, como testemunha do Estado em caso de estupro. Neste ano, abandonou a escola de vez.


Quando saiu, aos 12, foi lavar o chão de um prostíbulo, com a mãe. Foi nessa época que ouviu pela primeira vez as gravações de Louis Armstrong e Bessie Smith. Em 1928 se mudaram para o Harlem, em Nova Iorque. Lá chegando, sua mãe foi trabalhar em um bordel, como prostituta. E Billie, que ainda não tinha completado 14, também, cobrando 5 dólares a hora. Em 1929 a polícia apareceu e prendeu as duas, que permaneceram encarceradas por cinco meses.


Sem nenhum dinheiro e desesperada, a garota saiu pelos bares à procura de emprego. Foi chamada pra dançar, mas foi um desastre. Um pianista ficou compadecido, e perguntou se a garota sabia cantar. Saiu de lá com emprego fixo.



Billie nunca teve educação formal de música, tudo o que conhecia foi o que havia escutado nos tempos do bordel. Mas após 3 anos cantando em bares gravou seu primeiro disco, já usando seu nome artístico de Billie Holiday.



Foi a primeira negra a cantar com uma banda de brancos, em plena era de segregação nos anos 30 – o que não a fez imune ao preconceito racial, evidentemente. Sua voz levemente rouca, sensual e profundamente emotiva garantiram inúmeras músicas de sucesso, e grandes vendas. Fez muitas turnês por casas noturnas, geralmente viajando em condições precárias. Tornou-se grande amiga de Ella Fitzigerald, embora a mídia houvesse criado uma rivalidade entre elas.





Em 1946, participou de seu único grande filme em Hollywood, New Orleans. Nessa época, seus problemas com drogas já eram crescentes. Elas ganhava mais de mil dólares por semana, e gastava quase tudo em heroína. Em 47 ela foi presa por posse de narcóticos, em seu apartamento em Nova Iorque. Foi condenada e presa, mas logo libertada por bom comportamento. Sua popularidade era altíssima.



Foi presa novamente em 1949, desta vez condenada a não mais tocar em lugares que vendessem bebidas alcoólicas. O que foi um grande problema, pois eram esses lugares que melhor pagavam. Billie não recebia muito dinheiro dos discos que vendia, e por isso sua vida financeira decaiu drasticamente.




Em 1956, publica sua autobiografia, Lady Sings the Blues.




No início de 1959 descobre que tem cirrose no fígado e para de beber. Mas volta violentamente após algumas semanas. Em maio, já havia emagrecido 20 quilos, e foi internada no hospital. Foi presa novamente por posse de drogas, e como não podia ser removida da cama, a polícia ficou na porta do seu quarto até sua morte, em 17 de julho de 1959.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Xuxa Meneghel


Taí uma figura onipresente na infância de qualquer um que nasceu entre o início dos oitenta e meados dos noventa. Se não fosse assistindo ao seu programa pelas manhãs, certamente era na festinha de algum amiguinho, onde a fita do show da Xuxa tocava sem descanso. Ainda na ativa no rolê artístico, Xuxa é uma figura que mudou muito com o tempo. Vale então dar uma acompanhada nesses caminhos e descaminhos.


Maria da Graça Meneghel, nascida em março de 1963, no Rio Grande do Sul. Aos sete anos se mudou com a família pra um subúrbio do Rio de Janeiro. Aos 15 anos foi abordada por um empresário de moda, que a convidou a tentar ser modelo. E nessas campanhas e trabalhos publicitários que Xuxa conheceu o Pelé.


Pelé  e Xuxa começaram a namorar quando ela tinha 17 e ele 40. Seu trabalho de modelo, que já tava caminhando bem, deu uma guinada com a popularidade de Pelé. Seus contatos profissionais se multiplicaram, e só em 1980 ela fez 80 capas de revista. Xuxa e Pelá ficaram no total 6 anos juntos.




Em 1982 sua popularidade estava em alta. Fazia aparições no programa dominical dos trapalhões, e no programa de sábado do Jô Soares, o Viva o Gordo. Neste ano fez um ensaio pra Playboy e uma participação no filme Amor Estranho Amor, de Walter Hugo Khouri. Gostaria de falar um pouco mais sobre esse filme, pois é muito comum ouvir por aí que a Xuxa fez um filme pornô. Porra, isso é uma puta ignorância. Amor Estranho Amor é um drama sério, adulto, que lida com as memórias de um personagem que ainda não se libertou de seu complexo de Édipo. Além de toques freudianos, o filme é muito marcado pelo cinema existencialista do Antonioni. Enfim, Khouri foi um dos grandes mestres de nosso cinema. É no mínimo deprimente ver sua obra diminuída a um mero pornô [o filme completo, com qualidade ruim, pois nunca foi remasterizado, vai a seguir].



Nos anos 90, ela comprou os direitos do filme, que teve a maioria de suas cópias recolhidas. Até hoje o filme pertence a ela.


O que parece que se esqueceu é que a figura da Xuxa, nesse início de carreira, era altamente erotizada.




Até seu primeiro programa de tv, o Clube da Criança, na Manchete, de 1983, era bem erotizado, com aquelas roupinhas curtas e talz. E isso continuou em 1986, com o Xou da Xuxa, na globo. Tinha até aquela marquinha de batom que ela deixava na molecada, vcs lembram? E as paquitas!!!


Foi na globo que ela começou a ser chamada de Rainha dos Baixinhos.



No início de seu programa na Manchete, Xuxa gravava aos finais de semana e voava pra Nova Iorque nos dias úteis pra trabalhar como modelo. Já na globo seu programa era diário, e foi aí que seus discos foram lançados e tiverem vendas brutais. Mesmo. Vendeu muito.


Voltando pro cinema, Xuxa ainda fez o filme Fuscão Preto, de 83, a alguns filmes com os Trapalhões, que levavam multidões aos cinemas. Até que em 1988 ela fez o supremo Super Xuxa Contra Baixo Astral, uma aventura inventiva e divertida, contracenando com o grande comediante Guilherme Karan. Sucesso absoluto de público.



Mas foi em 1990 que seu maior sucesso foi lançado: Lua de Cristal, uma cópia descarada do filme Labirinto, que fora estrelado pelo David Bowie em 1986 [incrível, achei o filme completo no youtube, dá pra curtir fácil fácil].


Enfim, o que dizer mais que isso? Xuxa é uma fábrica de fazer dinheiro. Brinquedos, discos, roupas, vídeos. Seus filmes com os trapalhões sempre arrebentaram na bilheteria. A partir de 1999, com Xuxa Requebra, seus filmes são garantias absolutas de rendimento.


Em 1998 sua primeira e única filha nasceu, Sasha, o planejado resultado de seu romance com Luciano Szafir. Xuxa segue com seus programas na globo, seu ativismo pelos direitos das crianças e dos animais, lançando vez ou outra algum vídeo pra molecada, que, claro, vende horrores.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Nina Simone


Hoje é dia de falar sobre a grande diva.


Nascida Eunice Kathleen Waymon, em 1933, na Carolina do Norte, Nina era a sexta filha de uma pobre família, cujo pai era trabalhador braçal e a mãe empregada doméstica e ministra da Igreja Metodista. Nina começou a tocar piano aos 3 anos de idade, na igreja.


 Aos doze anos se apresentou num recital clássico. Nessa ocasião, seus pais não puderam se sentar na frente, pois tiveram que ceder seus lugares para pessoas brancas, e foram sendo empurrados para o fundo. Nina se recusou a tocar se seus pais não tomassem bons lugares, e então eles foram novamente colocados à frente.


O empregador de sua mãe, ao ouvir o talento da pequena Nina, bancou suas aulas de piano, e também o ensino regular. Após se formar tentou entrar no Instituto Curtis pra tocar piano, mas foi rejeitada. Foi então para Nova Iorque estudar na Juilliard School of Music.


Aos 21 ela adotou o nome artístico de Nina Simone, sendo contratada pra cantar e tocar piano num bar em Atlantic City. Sua mistura de jazz, blues e música clássica conquista um pequeno número de fãs. Daí foi um passo pra gravar músicas e lançar seu primeiro single, um sucesso. A maioria dessas músicas tinha pegada pop, pois Nina precisava do dinheiro pra continuar suas aulas de música clássica.


Aos 28 ela se casou com um detetive de polícia de Nova Iorque, que depois se tornaria seu empresário, Andrew Stroud, um cara violento que espancava Nina freqüentemente.


Entre 60 e 64 lançou 9 discos, a maioria ao vivo. Em 1964 sua carreira mudou um pouco de rumo, pois o conteúdo de suas músicas mudou. Trocando a gravadora americana Colpix pela holandesa Philips, Nina Simone começa a abordar o tema da desigualdade racial, cantando músicas sobre crimes cometidos contra os negros. Várias de suas músicas foram proibidas no Sul.


Em seus shows, entre as músicas de cunho engajado, Nina mandava mensagens pró direitos civis. Apoiava todas as ações pró negros, inclusive as violentas, apoiando a idéia de os negros se armarem e formarem um estado separado – algo como o que o Malcom X pregava.



De saco cheio de todo o preconceito, Nina voou para Barbados. Seu marido interpretou isso como um rompimento, e, como seu agente, fodeu com as finanças da mulher. Quando voltou pros EUA, descobriu que havia um mandado de prisão pra ela, por impostos não pagos e por protestar contra a guerra do Vietnã. Não teve dúvidas. Voou de volta pra Barbados.


Lá, teve um caso com o primeiro ministro, mas logo mudou-se pra Libéria, na África. Depois passou pela Suiça e Holanda, até se estabelecer no sul da França, em 1992.


Durante os anos 80 Simone continuou fazendo pequenos shows, onde contava histórias sobre sua vida e brincava com o público, entre as músicas. Em 1987 a Channel usou sua música My Baby Just Cares For Me num comercial, o que jogou Nina novamente no gosto do público. Gravou com uma porrada de gente importante e voltou pra mira da fama.


Viveu de boa na França, apresentando-se em diversos países. Morreu em 2003, depois de sofrer por anos devido a um câncer de mama.