Mostrando postagens com marcador escritora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritora. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sasha Grey


Marina Ann Hantzis, mais conhecida como Sasha Grey, nasceu na Califórnia, filha de um mecânico com uma funcionária do Estado. Seus pais se separaram quando ela tinha cinco anos, e ela foi criada com sua mãe. Passou por quatro escolas de ensino médio, odiando cada uma pela qual passou. Na última delas ela fez aulas de cinema, dança e atuação. Formou-se aos 17 anos. Ela trabalhou colocando mesas em uma churrascaria por alguns meses, conseguindo economizar 7 mil dólares para se mudar para Los Angeles.


Em maio de 2006 mudou-se para Los Angeles e começou sua carreira em filmes adultos (nosso velho e conhecido pornô), logo após completar 18 anos. Originalmente ela usou o nome Anna Karina, tomado da atriz francesa antes de decidir sobre o seu nome presente. O nome " Sasha " foi tirado de Sascha Konietzko da banda KMFDM e "Grey" do romance de Oscar Wilde, O Retrato de Dorian Gray. Sua primeira cena foi uma orgia com o mítico Rocco Siffredi para o filme Os Fashionistas 2, de John Stagliano .


Ela logo trouxe a atenção pra si ao improvisar com Rocco uma cena em que ele dá um soco no estômago dela. A partir daí ela foi trabalhando muito e ganhando seu espaço. Menos de seis meses depois ela já era apontada por revistas especializadas como a grande revelação do pornô. Em 2007 e 2008 ganhou diversos prêmios, sendo a pessoa mais jovem a ganhar o AVN Adult Movie Awards. 


Vejam esse vídeo da Vice, um misto de entrevista e ensaio com Richard Kern, onde Sasha afirma que se considera uma artista performática, fala sobre como ela encara com profissionalismo o seu trabalho.


Durante cinco anos de trabalho, Sasha fez 270 filmes e ganhou 14 prêmios. 


Em 2011 ela anunciou sua aposentadoria. 


Em meados de agosto de 2013 a Sashinha veio ao Brasil para o lançamento da tradução de seu livro, Juliette Society. Neste vídeo da tv folha vc pode ver um pouco do impacto da vinda dela aqui (a partir do minuto 8). E o vídeo a seguir é da entrevista dela pro Danilo Gentili.




sexta-feira, 19 de julho de 2013

Betty Friedan


Betty Friedan foi uma escritora norte-americana, ativista e feminista. Nascida Bettye Naomi Goldstein em 4 de fevereiro de 1921, em Peoria, Illinois, filha de Harry e Miriam (Horwitz) Goldstein, cujas famílias eram de judeus da Rússia e da Hungria. 


Quando adolescente, Friedan era ativa nos círculos tanto marxistas quanto judaicos, e escreveu mais tarde como ela se sentia as vezes isolada como se estivesse na última comunidade do mundo, o que a fez sentir "paixão contra a injustiça ... que se originou a partir de meus sentimentos de injustiça do anti-semitismo". Envolveu-se no jornal da escola no ensino médio. Quando seu pedido para escrever uma coluna foi recusado, ela e outros seis amigos lançaram uma revista literária chamada Tide, que discutiu a vida em casa, em vez de vida escolar.


Entrou na faculdade feminina Smith em 1938. Ela ganhou uma bolsa de estudos em seu primeiro ano pelo excelente desempenho acadêmico. Em seu segundo ano, ela tornou-se interessada em poesia, e tinha muitos poemas publicados em periódicos do campus. Em 1941, ela tornou-se editor-chefe do jornal da faculdade. Os editoriais tornou-se mais políticos sob a sua liderança, tendo uma forte postura anti-guerra e, ocasionalmente, causando polêmica. Ela se formou summa cum laude em 1942, com especialização em psicologia.


Figura de liderança no movimento das mulheres nos Estados Unidos, seu livro de 1963, A Mística Feminina (The Feminine Mystique) é creditado frequentemente com desencadeador da "segunda onda" do feminismo norte-americana do século 20. Em 1966, Friedan fundou e foi eleita a primeira presidente da Organização Nacional para as Mulheres, que visavam trazer as mulheres "para o mainstream da sociedade americana agora totalmente igual parceria com os homens".


Sobre seu livro mais famoso, há uma síntese na wikipedia:
A Mística Feminina (em inglês: The feminine mystique) é um livro da autoria de Betty Friedan e publicado em 1963, tornando-se num dos mais importantes livros do século XX.
O livro foi resultado de anos de pesquisa da autora, que entrevistou mulheres que seguiam os preceitos dos anos 1940 e 1950 (nos quais as atividades femininas ficaram restritas à atuação como donas-de-casa), quanto empresários, médicos e publicitários.
A idéia central do livro está na observação de que a mulher foi mistificada após a Crise de 1929 e mobilização para a Segunda Guerra Mundial, sendo considerada fundamentalmente como mãe e esposa zelosa. Assim, a educação da menina desde a infância não a estimulava a ser independente, mas a desenvolver habilidades apenas para se casar e viver em função dos filhos e do marido. Com o passar dos anos, a mulher se sentia frustrada e desenvolvia diversos distúrbios psicológicos que oscilavam da depressão ao consumismo.
Como no período pós-Segunda Guerra foi também a solidificação do progresso estadunidense e do "american way of life", foi possível concluir que a frustração feminina de apenas viver para os outros era canalizada para aumentar o consumo desse período. Dessa forma, as desigualdades de tratamento entre mulheres e homens eram usadas para justificar uma obrigatória dedicação ao lar que era compensada pelo estímulo à economia da época através do incremento das frustrações e opressão femininas no âmbito doméstico.

Em 1970, após deixar o cargo como primeira presidente da NOW, Friedan organizou uma greve das mulheres em todo o país para a Igualdade no dia 26 de agosto, o 50 º aniversário da décima nona alteração à Constituição dos Estados Unidos que concede às mulheres o direito de votar. A greve nacional foi um sucesso além das expectativas na ampliação do movimento feminista; sozinho a marcha liderada por Friedan em Nova York atraiu mais de 50 mil homens e mulheres. Em 1971, Friedan se juntou a outras líderes feministas para estabelecer o National Women's Political Caucus. Friedan também foi uma forte defensora dos direitos de alteração de proposta de igualdade da Constituição dos Estados Unidos, que passou pela  Câmara dos Deputados dos Estados Unidos (por um voto de 354-24) e do Senado (84-8), após intensa pressão por grupos de mulheres liderada pela NOW no início de 1970. Após a passagem da alteração pelo Congresso, Friedan defendeu a ratificação da alteração nos estados e apoiou as reformas de direitos de outras mulheres: ela fundou a Associação Nacional para a Revogação das Leis do aborto, mas mais tarde foi crítico das posições centradas no aborto de muitas feministas liberais.

infelizmente o vídeo não tem legenda, mas fica o registro dela em movimento.


Considerado como uma autora e intelectual influente nos Estados Unidos, Friedan permaneceu ativa na política e na advocacia pelo resto de sua vida, onde publicou seis livros. Já em 1960 Friedan foi crítico de facções extremistas e polarizadas do feminismo que atacaram grupos como os homens e as donas de casa. Um de seus livros, A Segunda Fase (The Second Stage, 1981), criticou o que Friedan viu como os excessos extremistas de algumas feministas que poderiam ser classificados como feministas de gênero.

Friedan morreu de insuficiência cardíaca em sua casa em Washington, DC, em 4 de fevereiro de 2006, seu 85 º aniversário.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carolina Maria de Jesus


Meu Avô

Quando estava contente, cantava:
Cuidado com esta negra!
Que esta negra vai contá.
Cuidado que esta negra
É puxa-saco da sinhá.
Cuidado com esta negra
Que esta negra já contô.
Cuidado que esta negra
É puxa-saco do sinhô.
Esta negra é caçambeira.
Gosta só de espioná.
Esta negra é faladeira
E conta tudo pra sinhá.
Esta negra é perigosa!
Tudo que vê ela fala,
E a sinhá fica nervosa
E nos prendem na senzala.


Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais, em 1914, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Filha ilegítima de um homem que já era casado, foi tratada como pária durante toda a infância, e sua personalidade agressiva não fez nada para aliviar a situação. Quando chegou à idade de sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro pagou as despesas para Carolina, bem como outras pobres crianças negras no bairro. No entanto, ela parou de freqüentar a escola pelo segundo ano, mas aprendeu a ler e escrever. Ela mal sabia na época, essas coisas desempenhariam um papel muito importante na sua vida adulta. 

A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da Igreja Católica enquanto ela ainda era jovem. No entanto, ao longo de sua vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na Igreja Católica. Em seu diário, ela muitas vezes fez referências bíblicas, e à Deus:
"...Eu dormi. E tive um sonho maravilhoso. Sonhei que eu era um anjo. Meu vestido era amplo. Mangas longas côr de rosa. Eu ia da terra para o céu. E pegava as estrelas na mão para contemplá-las. Conversar com as estrelas. Elas organizaram um espetáculo para homenagear-me. Dançavam ao meu redor e formavam um risco luminoso. 
Quando despertei pensei: eu sou tão pobre. Não posso ir num espetáculo, por isso Deus envia-me estes sonhos deslumbrantes para minh'alma dolorida. Ao Deus que me protege, envio os meus agradecimentos."

Em 1937 sua mãe morreu e ela foi forçada a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina fez sua própria casa, usando madeira, lata, papelão, e qualquer outra coisa que pudesse encontrar. Ela iria sair todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família. Quando ela encontrava revistas e cadernos antigos, guardava para escrever dentro Ela começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como foi morar na favela. Isto irritava seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.

Teve vários casos amorosos quando jovens, embora tenha se recusado a casar-se, por ter visto muita violência doméstica na favela. Ela preferiu permanecer independente. Todos os seus três filhos tinham pais diferentes, um dos quais era um homem rico e branco. Em seu diário, ela detalha o cotidiano de favelados e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que ordem as suas vidas. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero pode levar as pessoas de alta autoridade moral a comprometer seus princípios, honra, e a si mesmos simplesmente para conseguir comida para si e suas famílias. Não há nenhuma chance de economizar dinheiro, pois quaisquer ganhos extras devem ir imediatamente para pagar dívidas.




O Diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas estava cobrindo a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do playground gritando "Saia, ou eu vou colocar você em meu livro!" Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer sobre seu livro. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o para seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu no jornal.
A história de Carolina "eletrizou a cidade" e, em 1960, Quarto de Despejo, foi publicado.



A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana (a wikipédia gringa diz que foras trinta mil cópias vendidas nos primeiros 3 dias). Embora escrito na linguagem simples e deselegante de uma favelada, seu diário foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e Europa. Mas não foi somente fama e publicidade que Carolina ganhou com a publicação de seu diário, mas desprezo e hostilidade de seus vizinhos. "Você escreveu coisas ruins sobre mim, você fez pior do que eu fiz", gritou um vizinho bêbado. A chamavam de prostituta negra, que tinha se tornado rica por escrever sobre a favela, mas recusou-se a compartilhar do dinheiro. Junto com as palavras dos vizinhos cruéis, as pessoas jogavam pedras e penicos cheios nela e em seus filhos. As pessoas também estavam com raiva porque ela se mudou para uma casa de tijolos nos subúrbios com os ganhos iniciais do seu diário. "Vizinhos se juntaram ao redor do caminhão e não deixá-la partir. "Você acha que são de classe alta agora, não você", eles gritavam. Os vizinhos locais desprezava mesmo que a alta realização de seu diário aumentou o conhecimento dessas favelas ao redor do mundo. Para vizinhos locais Carolina esta publicação foi uma contusão de seu modo de vida.


A filha de Carolina, Vera, afirmou em entrevista que sua mãe sempre gostou de ser o centro das atenções, e aspirava a se tornar uma cantora e atriz. No entanto, apesar de seus esforços para o fazer, a editora informou-lhe que isso não iria beneficiar e que ela deveria continuar a escrever seus livros. Além do Quarto de Despejo, escreveu também Casa de Alvenaria (1961), Pedaços de Fome (1963), Provérbios (1963) e Diário de Bitita (1982, póstumo). Ela morreu em 1977, aos 62 anos.





quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Alice Walker


Alice Malsenior Walker nasceu em Putnam County, Geórgia, e é a caçula de oito filhos. Seu pai, que era, em suas palavras, "maravilhoso em matemática, mas um fazendeiro terrível", ganhava pouco com a criação de gado leiteiro e sua mãe complementava a renda da família trabalhando como empregada doméstica. Ela trabalhava 11 horas por dia para ajudar a pagar a faculdade de Alice.


Cresceu com uma tradição oral, ouvindo histórias de seu avô (o modelo para a personagem de Mr. em A Cor Púrpura), Walker começou a escrever, só pra ela, quando tinha oito anos de idade. "Com a minha família, eu tinha que esconder as coisas", disse. "E eu tinha que manter um monte na minha mente".


Em 1952, Walker foi acidentalmente ferido no olho direito por um tiro de uma arma de chumbinho disparado por um de seus irmãos. Como a família não tinha carro, os Walkers não podia levar sua filha a um hospital para tratamento imediato. No momento em que eles chegaram no médico, uma semana depois, ela ficou permanentemente cega daquele olho. Foi preciso colocar uma camada de tecido cicatricial sobre o olho ferido, fazendo com que a timidez de Alice aumentasse. Introspectiva, buscou consolo na leitura e na poesia.


Quando tinha 14 anos, o tecido cicatricial foi removido. Mais tarde, ela se tornou a oradora oficial e foi eleita a garota mais popular, bem como rainha de sua classe sênior, mas ela percebeu que sua lesão traumática tinha algum valor: permitiu a ela para começar "realmente ver as pessoas e as coisas, a perceber relações e aprender a ser mais paciente".


Depois do ensino médio, Walker foi para Spelman College, em Atlanta em uma bolsa integral em 1961 e mais tarde foi transferida para o Sarah Lawrence College, perto de Nova York, graduando-se em 1965. Walker tornou-se interessado no movimento dos direitos civis nos EUA parte devido à influência do ativista Howard Zinn, que foi um dos seus professores no Spelman College. Continuando o ativismo que ela participou durante seus anos de faculdade, Walker voltou para o Sul, onde ela se envolveu com as unidades de registro de eleitores, campanhas de direitos sociais, e os programas infantis no Mississippi.


Alice Walker conheceu Martin Luther King Jr., quando ela era uma estudante no Spelman College, em Atlanta, em 1960. Walker credita King por sua decisão de voltar para o Sul como ativista do Movimento dos Direitos Civis. Ela marchou com centenas de milhares de pessoas em agosto de 1963 na Marcha de Washington. Já adulta, ela se ofereceu para registrar eleitores negros na Geórgia e Mississippi.


Em 8 de março de 2003, Dia Internacional da Mulher, às vésperas da Guerra do Iraque, Alice Walker, juntamente com outras 26 pessoas foram detidas por atravessar a linha policial durante uma manifestação de protesto contra a guerra do lado de fora da Casa Branca. Ela e 5.000 ativistas associados com as organizações Code Pink e Mulheres para a Paz marcharam de Malcolm X Park, em Washington DC, para a Casa Branca. Os ativistas cercaram a Casa Branca. Em uma entrevista ao Democracy Now, Alice disse: "Eu estava com outras mulheres que acreditam que as mulheres e crianças do Iraque são tão queridos como as mulheres e as crianças em nossas famílias, e que, na verdade, somos uma família. E por isso tenho para mim que estávamos indo para bombardear realmente a nós mesmos."


Em novembro de 2008, Alice Walker escreveu "uma carta aberta a Barack Obama", que foi publicada online. Walker abordou o presidente recém-eleito como "irmão Obama" e escreve "Ver você tomar o seu lugar de direito, com base apenas na sua sabedoria, força e caráter, é um bálsamo para os cansados guerreiros ​​da esperança".


Em janeiro de 2009, ela foi uma das mais de 50 signatários de uma carta protestando no Toronto International Film Festival, sob holofotes dos cineastas israelenses, condenando Israel como um "regime de apartheid". Em março de 2009, Alice Walker viajou para Gaza, juntamente com um grupo de 60 outros ativistas do grupo anti-guerra Code Pink, em resposta à guerra de Gaza. Seu propósito era entregar ajuda, para se encontrar com ONGs e moradores, e persuadir Israel e Egito a abrir suas fronteiras para Gaza. Ela planejava visitar Gaza novamente em dezembro de 2009 para participar da Marcha de Libertação de Gaza.  Em 23 de junho de 2011, ela anunciou planos para participar de uma flotilha de ajuda a Gaza que tentou romper o bloqueio naval de Israel. Explicando seus motivos, ela citou a preocupação para os filhos e que ela sentiu que "anciãos" deve trazer "o que for compreensão e sabedoria que possamos ter obtido em nossas vidas bastante longas, testemunhando e sendo uma parte de lutas contra a opressão".

Infelizmente não há vídeos legendados com ela. Então coloquei este com legendas em inglês

Em uma entrevista junho 2011, Walker descreveu os Estados Unidos e Israel como "organizações terroristas", afirmando: "Quando você aterrorizar as pessoas, quando você bota tanto medo neles, mental e psicologicamente, isso é terrorismo".


Pra ir ao site oficial dela, só clicar aqui.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Lou Andreas-Salomé


Lou Salomé nasceu em São Petersburgo, 1861. Salomé era a única filha mulher de cinco irmãos. Buscando uma boa educação, aos 17 persuade o pastor holandês Hendrik Gillot, 25 anos mais velho que ela, para lhe ensinar a teologia,  filosofia, as religiões do mundo e literatura francesa e alemã. Gillot tornou-se tão apaixonado por Salomé que planejava se divorciar de sua esposa e se casar com ela. Salomé e sua mãe fugiram para Zurique, para que ela pudesse adquirir uma formação universitária. A viagem também foi  benéfica para a saúde física de Salomé, que andava tossindo sangue.


A mãe de Lou a levou para Roma quando ela tinha 21 anos. Em um salão literário na cidade, Salomé conheceu Paul Rée, um autor e um jogador compulsivo, com quem ela propôs viver em uma comuna acadêmica. Após dois meses, os dois se tornaram parceiros. Em 13 de Maio de 1882, Friedrich Nietzsche juntou-se ao duo. Salomé escreveu em 1894 um estudo sobre a personalidade de Nietzsche e a filosofia. Os três viajaram com a mãe de Salomé, através da Itália e considerada onde eles iriam criar a sua "Winterplan" comuna.
"Pois, no seio mesmo da paixão, nunca se deve tratar de "conhecer perfeitamente o outro": por mais que progridam neste conhecimento, a paixão restabelece constantemente entre os dois este contato fecundo que não pode se comparar a nenhuma relação de simpatia e os coloca de novo em sua relação original: a violência do espanto que cada um deles produz sobre o outro e que põe limites a toda tentativa de apreender objetivamente este parceiro. É terrível de dizer, mas , no fundo, o amante não está querendo saber "quem é" em realidade seu parceiro. Estouvado em seu egoísmo, ele se contenta de saber que o outro lhe faz um bem incompreensível... os amantes permanecem um para o outro, em última análise, um mistério"


Chegando em Leipzig, Alemanha, em outubro, Salomé e Rée romperam com Nietzsche depois de um desentendimento entre Nietzsche e Salomé, em que ela acreditava que o bigodudo era perdidamente apaixonado por ela. Talvez Lou tenha sido a única mulher que Nietzsche amou verdadeiramente. Em 1884 tornou-se próxima de Helene von Druskowitz, a segunda mulher a receber um doutorado em filosofia em Zurique.

Andreas-Salomé, Rée e Nietzsche (1882)

Salomé e Rée se mudaram para Berlim e viveram juntos até alguns anos antes de seu casamento com o estudioso de línguas Friedrich Carl Andreas. Apesar de sua oposição ao casamento e suas relações abertas com os outros homens, Salomé e Andreas ficaram casados de 1887 até a morte dele, em 1930. Ao longo de sua vida de casada trocou correspondências com o jornalista alemão Georg Lebedour, o poeta alemão Rainer Maria Rilke, em que ela escreveu um livro de memórias analítica, os psicanalistas Sigmund Freud e Viktor Tausk, entre outros. Seu relacionamento com Rilke foi particularmente estreito. Essa relação foi decisiva para a criação de obras fundamentais, como "A Humanidade da Mulher" e "Reflexões Sobre o Problema do Amor".

"Ouse, ouse... ouse tudo!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes. Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!"


Lou Andreas-Salomé e seu marido Friedrich Carl Andreas (1886)

Com a idade de 74 anos, Lou Andreas-Salomé deixou de trabalhar como psicanalista. Ela havia desenvolvido problemas de coração, e em sua condição enfraquecida tinha de ser tratada muitas vezes no hospital. Seu marido a visitava diariamente, era uma situação difícil para o velho, que era muito doente. Depois de um casamento de quarenta anos marcados pela doença em ambos os lados e longos períodos de mútua não-comunicação, os dois ficaram mais próximos. Sigmund Freud reconheceu isso de longe, escrevendo: ". Isso só prova a permanência da verdade [da relação]" Friedrich Carl Andreas morreu de câncer em 1930. Lou Andreas-Salomé teve que passar por uma operação relacionada com o câncer em 1935. Na noite de 05 de fevereiro de 1937 ela morreu de insuficiência renal durante o sono.



"Distingue-se entre os humanos aqueles que se sentem divididos em um passado e um futuro e aqueles que vivem o presente com cada vez mais densidade, sempre mais plenitude. Os orientais acham natural insistir menos sobre a morte do que se passa do que sobre a perfeição do que se acaba, como aprofundamento da realidade. Nós, ao contrário, começamos a ver aquilo que nos chega, apenas sob o aspecto sempre mais sinistro da morte - como tudo o que se observa de um olhar exterior, logo mortífero."

"Sempre não tive a idéia fixa de que a velhice me traria muito? Em meus jovens anos escrevi em algum lugar: primeiro nós vivemos nossa juventude, em seguida nossa juventude vive em nós. Não sei bem, ainda hoje, o que eu queria dizer com isso outrora. Mas eu tinha realmente medo de não atingir a idade de viver esta experiência; eu o sabia profundamente, uma longa vida, com todas as suas dores, vale ser vivida,. Claro, o valor da vida pode nos ficar escondido pelos desgastes sofridos pela nossa carne, nosso espírito (...) do mesmo modo que a juventude mais empreendedora pode se ver entravada em sua felicidade e em seu sucesso, por um fatal concurso de circunstâncias; mas, por além das perdas, a velhice adquire muito mais que a famosa aptidão à serenidade e à lucidez: ela permite que se chegue a uma plenitude mais acabada."“A morte desfaz, assim, a distância entre os amantes, que agora vivem um no outro, sem que o individualismo os separe. A morte não é uma partida, mas uma volta: um retorno do indivíduo àquela união primitiva com as coisas. Por isso não a devemos temer”.





sábado, 22 de dezembro de 2012

Marcelle Sauvageot


Uma leitora do blog, a Ariane, me sugeriu falar sobre essa escritora francesa que publicou um único livro em sua curta vida, Laissez-moi. O material sobre sua vida é bem escasso, mas tentei colocar aqui o máximo de coisas que encontrei.


Nascida em 1900, em Charleville (Ardenas), Marcelle Sauvageot foi professora associada na Faculdade de Letras no colégio de meninos de sua cidade. Aos vinte e poucos anos ela caiu doente com tuberculose e uma série de longas estadas em sanatórios: primeiro, Tenay em Hauteville-Ain, onde foi parar depois de uma desilusão amorosa, e, mais tarde, em Davos, Suíça, o seu lugar de descanso final. Sauvageot Marcelle morreu em 3 de janeiro de 1934. Seu corpo encontra-se no cemitério de Trésauvaux na Meuse, Lorena, onde sua família se originou.


Ela deixa um legado de trabalho único. Sua primeira obra foi apresentada a um editor três anos depois de escrita, sem ao menos ter um título. O texto (escrito de ensaio íntimo, um romance autobiográfico ou carta de ficção?) foi inicialmente distribuído fora do circuito comercial, com 163 cópias, um ano antes de sua morte. Ele foi bem recebido pelos poucos destinatários na comunidade literária e artística em Paris, como Paul Valéry, Paul Claudel, René Crevel, Henri Rambaud, Robert Brasillach, Jacques de Bourbon Busset, Henri Focillon, Henri Gouhier. O título usado foi muito simples: Comentário.

Pra quem é fluente no francês, taqui um vídeo onde se discute a obra de Marcelle.

Neste livro, Marcelle Sauvageot está atenta aos sussurros da alma, a sutil destruição amorosa, a hipocrisia dos homens. "Comentário deve ter uma data na literatura feminina" Clara Malraux escreveu em suas memórias, "primeiro livro escrito por uma mulher livre de submissão, preciso como um olhar masculino, o olhar surgido como amigo-inimigo sem servilismo". O texto está engajado nessa mistura de lucidez e sensibilidade. "Um pequeno volume tão amargo, tão puro, tão nobre, tão lúcido, tão elegante, tão grave e tão alto, com uma visão tão desolada e rasgada. Fico quase tentada a dizer que esta é uma das obras-primas da escrita feminina", diz Paul Claudel.

O livro, reimpresso muitas vezes, tem sido associado a títulos diferentes. É especialmente publicado em 1997 sob o título Commentaire : récit d'un amour meurtri, e, em 2004, sob o título Laissez-moi : commentaire.

Pra quem se interessou, dá pra ler o e-book em pdf, eu ouvir o livro. Tudo em francês, pq pelo que pude verificar não há tradução da obra para o português.



domingo, 2 de dezembro de 2012

Hilda Hilst



Noutras palavras, a sua poética, de certo modo, sempre foi a do desejo?
Daquele suposto desejo que um dia eu vi e senti em algum lugar. Eu vi Deus em algum lugar. É isso que eu quero dizer.
E a importância de Deus diminui também agora?
Não preciso mais falar nada, entende? Quando a gente já conheceu isso, não precisa mais falar, não dá mais pra falar.
É, portanto, um esgotamento da linguagem, um impasse, digamos, "expressivo", que leva ao silêncio?
É verdade. Leva ao silêncio. Eu fui atingida na minha possibilidade de falar. Lá do alto me mandam não falar. Por isso é que estou assim.
Sua obra, no fundo, então, procura...
Deus.
Ele não significava o Outro, o outro ser humano?
Deus é Deus. O tempo inteiro você vai ver isso no meu trabalho. Eu nem falo "minha obra" porque acho pedante. Prefiro falar "meu trabalho". O tempo todo você vai encontrar isso no meu trabalho.
[cadernos de literatura brasileira, outubro de 1999]



Hilda de Almeida Prado Hilst foi a única filha do fazendeiro de café, jornalista, poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst, filho de Eduardo Hilst, imigrante originário da Alsácia-Lorena, e de Maria do Carmo Ferraz de Almeida Prado. Sua mãe, Bedecilda Vaz Cardoso, era filha de imigrantes portugueses. Nasceu em Jaú, em 1930, às 23:45, numa casa da Rua Saldanha Marinho.

 Bedecida e Apolônio

Em 1933, aos 3 anos 

Fantasiada para o carnaval de 1937.

Aos 8 anos.

Hilda com a mãe.

Aos 12 anos.

Aos 13, com seu cão número 1.

Em 1932, seus pais se separaram. Em plena Revolução Constitucionalista, Bedecilda mudou-se para Santos, com Hilda e Ruy Vaz Cardoso, filho do seu primeiro casamento. Durante a viagem, ao passarem por Campinas, a Estação Ferroviária Mogiana está sendo bombardeada. Em 1934 recebe a primeira visita do pai em Santos, e em 1935 Apolônio é diagnosticado como paranóico esquizofrênico.

Hilda e Maria Lygia Bruno, no Sta Marcelina, 1941.

Em 1937, Hilda ingressou como aluna interna do Colégio Santa Marcelina, em São Paulo, onde cursou o primário e o ginasial, com desempenho considerado brilhante. Nesse ano, a mãe lhe revelou a doença de seu pai. Neste ano a mãe lhe revela a doença de Apolônio. A intensidade dessa revelação e os poucos encontros que terá com o pai acentuam sua imagística da figura paterna, que se configura um dos principais componentes de sua obra literária. 

Em 1946

Em 1944, ao concluir o ginasial, passa a morar na residência de Ana Ivanovna, situada à Rua Alemanha, Jardim Europa, São Paulo. Em 1945, iniciou o curso secundário no Instituto Presbiteriano Mackenzie, onde permaneceu até a conclusão do curso. Em 1946 tem seu segundo encontro com o pai, quando o visita na fazendo Olhos D´água, no município de Itapuí. 

Na casa da mãe, em Campinas, 1948.

Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), onde conheceu aquela que seria sua grande amiga ao longo da vida, a escritora Lygia Fagundes Telles. Seu primeiro livro Presságio, publicado em 1950, foi recebido com grande entusiasmo pelos poetas Jorge de Lima e Cecília Meireles.
Hilda de boina, com os colegas do Mackenzie, 1945. 

Hilda de preto, com as amigas, 1948. 



Na faculdade de Direito, 1950. 

Com Cássio Rodrigues, em 1955.

A partir de 1951, ano em que publicou seu segundo livro de poesia, Balada de Alzira, foi nomeada curadora do pai. Concluiu o curso de Direito em 1952. No ano seguinte começa a trabalhar no Escritório de Advocacia do Dr. Abelardo de Souza, em São Paulo, mas demite-se em 1954, abandonando a carreira por absoluta incompatibilidade com a profissão, optando pela Literatura. Viaja à Argentina e Chile, com a amiga Théa Müller Carioba. Muda-se para o apartamento da mãe, no Parque Dom Pedro II, São Paulo. Em 1955 publica o livro de poesia Balada do Festival. 

Hilda e Cássio Rodrigues na Grécia, 1957. 

Roma, 1957. 

Rumo a Paris, 1957.

Em 1957 faz uma viagem à Europa, com as amigas Regina Morganti, Marina de Vincenzi e Dorotéa Merenholz, permanecendo seis meses em Paris. Ainda na França, conhece Nice e Biarritz. Vai para Itália (Roma) e Grécia (Atenas e Creta). Voltando ao Brasil, muda-se para apartamento na Alameda Santos, São Paulo. Publica em 1959 um novo livro de poesia, Roteiro do silêncio. No ano seguinte, outro livro de poesia: Trovas de Muito amor Para um Amado Senhor. Viaja para New York e Paris. Muda-se para casa no bairro de Sumaré, São Paulo. 

Em Biarritz, 1957. 

Com as amigas, em Cannes.

É nessa época que Adoniran Barbosa leu o segundo livro de Hilda Hilst e ficou encantado com "Bem o Quisera", que ele considerava um dos versos mais perfeitos já escritos na língua portuguesa. Em meados dos anos 50, Adoniran liga para a escritora e sugere um encontro - pois ele planejava musicar alguns poemas dela e queria tratar do assunto pessoalmente. A conversa entre os dois, bastante descontraída, ocorre no bar do Hotel Jaraguá, localizado na capital paulista. Como Hilda tinha dúvidas se seus versos dariam boas canções, Adoniran pediu que ela criasse, naquele exato momento, alguns poemas. Na mesa do bar, Hilda escreve "Só Tenho a Ti", "Quando Te Achei" e "Quando Tu Passas por Mim". Foi sua introdução no universo musical. A seguir, duas delas (infelizmente não na voz de Adoniran)



Aos 27.

Em 1961, novo livro de poesia, Ode fragmentária. O músico Gilberto Mendes compõe a peça Trova I, inspirada no primeiro poema de Trovas de Muito Amor Para um Amado Senhor.

Apresentando a entrega do prêmio Saci, em São Paulo. 

 "Honni soit qui mal y pense!", ou seja, "maldito seja quem pensar em sacanagem", Paris, 1962. Ao fim da refeição, nesse restaurante de Paris, o garçon, ajudado por cavalheiros altruístas, coloca uma liga na perna de Hilda Hilst.

No batizado de Beatriz Cardoso, 1960.

Em 1962 recebe o Prêmio Pen Clube de São Paulo, com a publicação de Sete cantos do poeta para o anjo. Conhece o físico nuclear Mário Schemberg no Clube dos Artistas (ou Clubinho), localizado à Rua 7 de Abril, freqüentado por intelectuais e artistas. O poeta português Carlos Maria de Araújo, seu amigo pessoal, presenteia Hilda com o livro Lettres a El Greco, de Nikos Kazantizakis. O livro se transforma num divisor de águas na vida da escritora, sendo um dos principais motivadores de sua futura mudança de São Paulo.


[Pra quebrar um pouquinho o gelo, alguns poemas lidos no rádio por Hilda, em início dos anos 1990]

Em 1963 conhece o escultor Dante Casarini. Sobre o encontro, Dande diz:
"...quando conheci a Hilda, estava em férias em São Paulo, e justamente estava caminhando na Rua Augusta numa certa tarde, quando ela, que estava com a Marilda Pedroso, mulher do Bráulio Pedroso, me viu da vitrine de uma loja de calçados e me fez um sinal. Achei incrível, porque o sinal era bem insinuante e me aproximei – ela era lindíssima, aliás, a Marilda também. Ela então me convidou para jantar em sua casa. Conversamos um pouco e ela pediu meu endereço. A noite estacionou o maior Mercedes em casa, com o choffeur dela para me buscar, e foi aquele jantar maravilhoso e aí começou aquela paixão entre nós.... 
Eu fui, e foi um jantar maravilhoso, a luz de velas, a casa da Hilda era belíssima: Rua Petrópolis, 42, no Sumaré (aliás, mais tarde ela venderia a casa à atriz e produtora teatral Ruth Escobar que entrevistei várias vezes além de ter trabalhado em peças da sua companhia e que providencialmente conheci) com muitos empregados – Hilda sempre teve muitos empregados e objetos maravilhosos, porque ela tinha um gosto estupendo e tomamos vinhos incríveis e então, começou uma paixão maravilhosa entre nós. Ela me convidou para ficar e eu fiquei. Nunca mais voltei daquelas férias. 
Eu tive poucas mulheres, sempre muito interessantes, mas nunca conhecera uma pessoa tão especial, genial, inteligentíssima e fascinante como a Hilda. E vivemos um período de grandes porres – saiamos com a Marilda e o Bráulio Pedroso, e outros artistas, poetas, como a Gilka Machado, atores como o Raul Cortez, Cacilda Becker, Tarcisio Meira, Eva Vilma. Nossa relação foi uma coisa inenarrável, porque a paixão era mútua. Em resumo, comecei a ter uma vida intensa e diferente de tudo o que até então vivera.”


Os dois tinham várias afinidades, entre elas o amor pelos cães. Em 1965, em companhia de Dante, muda-se para a sede da Fazenda São José, de propriedade de sua mãe, em Campinas, SP. Iniciam  a construção de uma casa, que seria a casa do sol. Foi erguida em 8 meses, e na época não havia luz elétrica, então se usavam 60 lampiões a querosene (a luz elétrica só viria 3 anos depois). Em 1968 os dois se casam.

Hilda, Dante e sua mãe, no dia do casamento.

Na Casa do Sol, 1967. 

O escultor Dante Casarini e Hilda Hilst sob a figueira da Casa do Sol (ou "no mato com cachorro"),1966. Atrás da árvore, a mesa de pedra cujo tampo Jô Soares quebrou ao usá-la como banco.

24 de setembro de 1966. Morte do pai. Na época Hilda já se transferira para a Casa do Sol, onde viveu por toda a vida. A casa será freqüentada por artistas e intelectuais das várias áreas, transformando-se num centro de fomento cultural das décadas de 70 e 80. Em 67 começa a escrever suas peças teatrais. Continua publicando poesia.



Hilda com Rofran e Felipe — respectivamente diretor e ator na peça "O Verdugo", 1973. 



Hilda, duas pessoas não identificadas, o crítico Leo Gilson Ribeiro e o escritor J. L. Mora Fuentes, na Casa do Sol, 1976.

No ano de 68 escreve as peças O visitante, Auto da barca de Camiri, O novo Sistema, e inicia As aves da Noite. Conhece os escritores Caio Fernando Abreu, que passa a morar na Casa do Sol, e Jose Luís Mora Fuentes. Na praia de Massaguaçu, próximo a Caraguatatuba no litoral paulista, inicia a construção da uma casa, que chama de “Casa da Lua” que concluirá no ano seguinte, na qual passará algumas temporadas. As peças O visitante e O rato no muro são encenadas no Teatro Anchieta, São Paulo, para exame dos alunos da Escola de Arte Dramática (EAD-USP).

O editor Massao Ohno e Hilda Hilst, durante lançamento. 

 Lygia Fagundes Telles, Hilda Hilst e a artista plástica Olga Bilenky, na Casa do Sol.


 Aniversário de Dante Casarini: na mesa - da esq. para direita - Caio Fernando Abreu, Mora Fuentes, Hilda Hilst, não identificado, Dante Casarini e amigos, na Casa do Sol.

 O escritor e artista plástico J. Toledo, Hilda e Gutenberg, na Casa do Sol.

Hilda, Ana Lúcia Vasconcelos, a artista plástica Olga Bilenky e amigos irracionais. 


Em 1970 publica seu primeiro livro de ficção Fluxo-Floema. Os críticos literários Leo Gilson Ribeiro, Anatol Rosenfeld e Nelly Novaes Coelho são os primeiros a reconhecer a importância dessa prosa inovadora. 
Lança seu segundo livro de ficção, Qadós. A leitura de Telefone Para o Além, livro do pesquisador sueco Friederich Jurgenson, leva-a à singular experimentação que estenderá pelos próximos 7 anos, na qual, por meio de um gravador, registra vozes de origem inexplicável pela ciência. Comunica a pesquisa aos físicos César Lattes e Newton Bernardes, seus amigos. Escuta deste último: “Isso, sendo verdade, teríamos que sentar na calçada e repensar toda a física”. Sobre esse caso, vale muito a pena assistir a esse raríssimo vídeo, uma matéria feita pelo Fantástico, disponibilizado no youtube:


Em 1985 divorcia-se de Dante Casarini, que continuará morando na Casa do Sol até 1991, e com o qual mantém profunda amizade até a morte de Hilda. Continua publicando poesia, e em 1990 lança os dois primeiros títulos da sua trilogia erótica, O Caderno Rosa de Lori Lamby, que a princípio escandaliza a maior parte da crítica, e Contos d’escárnio/Textos grotescos, igualmente perturbador para boa parte de seus leitores. Em 1991 lança Cartas de um Sedutor, encerrando sua trilogia erótica. Apesar de a trilogia representar menos de um décimo da sua obra, Hilda passa a ser erroneamente considerada, por parte da crítica, como escritora essencialmente erótica. 

A entrevista a seguir é de uma lucidez suprema. A melhor que encontrei dela.



Em 1992 aceita o convite de Wilson Marini, editor no “Caderno C” do jornal Correio Popular (Campinas, SP), e inicia sua atuação como cronista. Ela escrevia o que pensava, e os leitores mandavam cartas medonhas ao jornal, ligavam exigindo que a coluna de Hilst fosse cortada do jornal. Posteriormente estas crônicas seriam reunidas na publicação Cascos e Carícias.


Em 1995 parte de seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre EulálioInstituto de Estudos de linguagem - IEL, UNICAMP, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro e o restante, notadamente sua biblioteca particular, encontra-se na Casa do Sol, sede do Instituto Hilda Hilst.


Em 1997, ao receber uma cópia do primeiro disco do compositor maranhense Zeca Baleiro, enviada pelo próprio artista, Hilst ligou, propôs uma parceria e mandou um disquete com sua obra poética. Foi no disquete que Baleiro descobriu o livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e decidiu musicar os versos do capítulo que dá título ao disco. Depois de dois anos de trabalho, a gravadora de Zeca Baleiro, Saravá Disco, lançou o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio - com poemas de Hilda Hilst musicados pelo artista maranhense.




Muitos de seus livros se esgotaram devido a uma escassa distribuição. Porém, em 2001, a Editora Globo adquiriu os direitos de sua obra e, em dezembro daquele mesmo ano, passou a reeditar a Obra Completa da escritora.

Internada no Hospital das Clínicas da Unicamp no dia 1 de janeiro de 2004 devido a uma queda e conseqüente fratura de fêmur, Hilda Hilst vem a falecer no dia 4 de fevereiro, às 4 horas da madrugada, em decorrência de uma infecção generalizada. É sepultada na tarde desse mesmo dia, no Cemitério das Aléias, em Campinas. Após seu falecimento, o amigo Mora Fuentes liderou a criação do Instituto Hilda Hilst. O IHH tem como primeira missão a manutenção da Casa do Sol, seu acervo e o espírito de ser um porto seguro para a criação intelectual.


Atualmente o Instituto Hilda Hilst tem como presidente Daniel Fuentes, e está levando a cabo o projeto de construção de um Teatro na Casa do Sol. Pra quem quiser saber mais, é só entrar no site. 

Aqui um vídeo do programa Entrelinhas, sobre Hilda.

Há um documentário sendo produzido, e um longa de ficção sendo escrito sobre a vida da escritora. E também uma biografia a ser lançada pela editora Globo. Pra quem quiser saber mais sobre a Hilda, há um delicioso texto da escritora Ana Lúcia Vasconcelos, que conviveu com Hilst e está preparando um livro sobre ela. Está dividido em 3 parte. Aqui a primeira, aqui a segunda, e a terceira