segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Diane Arbus

Hoje de manhã eu enfim assisti ao filme A Pele, que é uma ficção que imagina um período crucial da vida da fotógrafa americana Diane Arbus. O filme é bom, muito melhor do que eu imaginava, e me fez dar uma fuçada mais atenta em seu trabalho. Compartilharei algumas dessas fotos com você.


"Para mim o sujeito de uma fotografia é sempre mais importante que a fotografia. E mais complicado..."- Diane Arbus, fotógrafa

Nascida em 1923, casou-se aos 18 com um fotógrafo, Allan, com quem trabalhava em fotografias de moda e retratos comerciais. Anos depois separa-se do marido e começa ela mesma a fotografar, trabalhando nos anos 60 como fotojornalista para revistas como Esquire, New York Time Magazine e Sunday Times.



Retratando pessoas a margem da sociedade e de seus padrões, Diane nos apresenta um mundo desconhecido, marcado pelo diferente, pelo bizarro, pelo destoante. Seu olhar é marcado por uma ligação com esse universo marginal, uma fascinação que nunca cai no paternalismo ou na crítica. Seus retratados são de uma humanidade gritante, quase sempre inofensivos, patéticos, e - mesmo incomuns - bastante ordinários.

Em 1971 tomou barbitúricos e cortou os pulsos. Um ano depois o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque promoveu a maior retrospectiva de seus trabalhos até então. O catálogo da exposição é, até hoje, um dos livros de fotografia mais influentes - e vendidos - do mundo. Também em 72, Diane foi a primeira fotógrafa americana escolhida pra integrar a Bienal de Veneza.





















Pra mais fotos, dá um pulo em http://diane-arbus-photography.com/

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Marília Coutinho



Em fevereiro desse ano, logo após abrir minha edição mensal da Trip, fiquei estarrecido com a entrevistada do mês. Era a irmã do Laerte cartunista, Marília Coutinho, decididamente uma mulher forte.


Evidentemente que não estou falando só de força física. Essa mulher tem uma determinação que só é vista em pouquíssimas pessoas. Enfim, pensei em escrever sobre a vida dela, mas, se você está interessado mesmo, leia a entrevista que ela deu na Trip. É muito foda: http://revistatrip.uol.com.br/revista/196/especial/ela-tem-a-forca.html.



Os problemas com relacionamentos na infância, a terrível experiência nos grupos de esquerda, a formação em biologia - onde conseguiu seu doutorado -, as crises mentais, a tentativa de suicídio e por fim o mergulho total na prática do halterofilismo.


E a mudança de pesquisadora para atleta para mim foi algo chocante. E esse meu choque é carregado de uma tonelada de preconceitos, claro. Lendo os textos da Marília é possível pensar melhor na importância do corpo, entender que a mente sozinha não pode ser a única responsável pela nossa felicidade e satisfação.


Então, pra quem se interessar, aí vai o site pessoal dela, onde há várias dicas sobre treinos, alimentação e saúde, e também o blog dela, com textos sobre estética e saúde. Bem legal.

http://www.bodystuff.org/

http://mariliacoutinho.livejournal.com/

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Cléo de Mérode



Vamos voltar um pouquinho no tempo pra falar dessa francesa que honrava muito o rolê.

A garota da foto aí é Cléo de Mérode, nascida em Paris em 1875, que desde muito criança já era celebrada pela sua beleza. Estudou na Escola de Balé da Ópera, mas abandonou em tudo em 1899, desistindo da carreira de bailarina clássica e toda essa vida caretinha que estava destinada a ela. Preferiu ir se apresentar nos maiores teatros de variedades de Paris, tornado-se rapidamente num enorme sucesso.



Apresentava números de dança oriental e grega, reinando absoluta até se retirar de cena voluntariamente nos últimos dias da Primeira Guerra Mundial. Marcou a época que ficou conhecida como Belle Epoque, aparecendo sempre nas páginas de moda das revistas e jornais, incessantemente fotografadas.



Em 1955 publicou seu livro de memórias, intitulado "Le Ballet de ma Vie".



Morreu em 1967, em Paris.


quarta-feira, 20 de julho de 2011

Leandra Leal



Vou começar logo com uma história que achei fascinante. Ali por volta dos doze anos, logo depois que o pai morreu, Leandra Leal acompanhou a mãe, Ângela Leal, a uma viagem pra Cuba. Conhecida pelo trabalho no cinema, Ângela ia muito ao festival de Havana, e de vez em quando trombava o Fidel Castro por lá. Quando foi com a filha, Fidel quis conhecê-la. Pegou a menina no colo, e ela mexendo na sua barba. Depois andaram de mãos dadas, o Fidel de um lado e o Gabriel Garcia Marquez do outro.



Leandra Leal nasceu em 1982, no Rio. Filha de atriz, cresceu no ambiente artístico, começando no teatro aos sete anos, e aos oito na televisão, aparecendo no último capítulo da novela Pantanal, onde a mãe trabalhava. Em 94, com 12 anos, participou do Confissões de Adolescente, serie da Cultura que marcou toda uma geração. A partir daí vieram inúmeras novelas. Aos 18 criou sua própria produtora, chamada Três Meninas, lidando com eventos sócio-culturais. Sua estréia no cinema foi aos 14, no filme A Ostra e o Vento, do Walter Lima Jr.

“Acredito que quanto mais as individualidades forem respeitadas, mais essa relação vai longe”, aposta. E faz uma reflexão sobre os papéis do homem e da mulher. “A mulher já achou um lugar. O gênero que está em crise agora é o masculino. Tenho amigos que têm um discurso de que tudo bem a mulher ganhar mais, ser independente, mas, na prática, não sabem viver com alguém que ‘não vai cuidar de mim’, ‘não vai ajeitar a casinha pra quando eu chegar do trabalho’. Esse é o desafio. Como é viver de igual pra igual com outro ser humano?”

Aliás, vocês já viram o nome próprio? Se negativo, por favor vejam. É um filme cheio de excessos e exageros, mas de uma sinceridade rasgante, que propicia a oportunidade pra que Leandra demonstre um talento e uma força insuspeitos pra quem esta acostumado a vê-la comportadinha nas novelas.



E, pra terminar, Leandra está na fase de captação de recursos pra produzir um documentário, que será sua estréia na direção de longas. O filme se chamará Divinas Divas, e contará a história de dois travestis que fazem um espetáculo a nos no teatro Rival, que era de propriedade de seu avô.



É, a menina vai longe!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vanessa da Mata



É botar o cd da Vanessa da Mata e me bate aquela melancolia.
Mas eu ainda gosto muito de ouvir, gosto do ritmo gostoso, das letras cheias de imagens, de cores, de sabores.  É a voz de uma mulher forte, mas carinhosa. Achei interessante o que ela disse:

"Atraio homens mais tímidos e sensíveis porque sou mais expansiva e aparentemente mais forte, apesar da voz delicada. Isso sempre foi difícil porque ou eles ficavam ainda mais dependentes ou se sentiam ameaçados"
Pois é. Mas vamos ao que interessa. Vanessa nasceu em 76, no Mato Grosso, numa cidadezinha de 8 mil habitantes. Ainda criança, ouvia os vinis de sua Vó Sinhá, cantando e dançando em volta do ventilador ligado. Também ouvia uma porção de discos que seu tio trazia de viagens da Amazônia. Mas com relação à música ao vivo, suas primeiras experiências foram com os passarinhos cantando nas árvores. Chegava até a atrapalhar a caçada dos irmãos para salvar os bichos das estilingadas.



Jogava basquete na escola, e nunca foi uma aluna muito aplicada. Aos 14 foi sozinha pra Uberlândia prestar medicina. Foi aí que começou a fazer suas primeiras apresentações em bares.



Aos 17 foi pra São Paulo e se inscreveu numa competição de modelos numa grande agência, a Elite. Foi finalista, mas detestava toda aquela rotina de sessão de fotos, neura com peso e tensão constante. Largou tudo e nunca se arrependeu disso.



Cantava numa banda feminina de reggae chamada Shalla Ball, e aos 21 conhece Chico César, com quem compõe "a força que nunca seca", gravada por Maria Bethânia. A partir daí a história já não é nenhum mistério. O sucesso chega, graças a muito trabalho e a um imenso e inegável talento.



Ah, e o disco "Essa boneca tem manual" é sem dúvida o meu favorito.

http://www.vanessadamata.com.br/home/

terça-feira, 5 de julho de 2011

Camille Rose Garcia

Depois da Audrey, vou mostrar o trabalho de outra californiana. Se trata da Camille Rose Garcia, uma pintora nascida em 1970 que cresceu indo pra disneylandia e ouvindo The Clash e Dead Kennedys. Ou seja, algo muito estranho iria acontecer. 



Com quadros que lembram o universo gótico dark de Tim Burton misturados com os cartoons da infância, Camille cria um universo caótico e bizarro, colorido e assustador. 



Em seu site estão elencados algumas de suas influências: Phillip K. Dick, William Burroughs, Henry Darger, Walt Disney, e as bandas já citadas.










Audrey Kawasaki

Essa foi dica do Caio, que passa o dia vendo blog de tatuagens, e que descobriu que os trabalhos desta californiana de 29 anos são os mais adaptáveis pra se marcar na pele.  Talvez porque suas mulheres de traços finos, elegantes e melancólicos sejam de uma beleza sedutora e onírica, e nos transporte prum misterioso mundo de fantasia erótica.

Mayakashi, 2010

Enfim, ela é uma pintora que ao invés de pintar na tela, usa pranchas de madeira. Assim, aproveita as ondulações do próprio material para criar efeitos com sua pintura a óleo.

Yuuwaku, 2010

Garotas de olhares melancólicos. A leveza dos tons pastéis. As linhas arredondadas do mangá.

Duas Irmãs, 2008

Pra quem curtiu muitão, faça uma tatoo a partir das pinturas dela!
O site é esse http://www.audrey-kawasaki.com/

OctoGirls, 2006

Bra, 2005

Hold, 2005

Lick Face, 2005

Kotori, 2003

Uria, 2008

Komoriuta

E aqui tá a moça pintando

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mallu Magalhães

Mallu em Madri, por Marcelo Camelo

Poucas figuras recentes da música brasileira surgiram com tamanho talento bruto quanto a jovem Mallu Magalhães, paulistana que nasceu em 1992 e que começou as aulas de violão aos 9 anos, sob influência de seu pai, fã de rock clássico. As primeiras composições vieram cedo, aos 12 anos, e aos aos 15 ela juntou uns trocados e gravou quatro músicas, disponibilizando-as em seu myspace e fazendo um baita sucesso. Uma dessas músicas é J1, que tá nesse clipe aí:


O primeiro cd pegou todo mundo de surpresa, era inegavelmente algo interessante. Com o segundo disco a evolução era visível, sendo possível antever uma grande cantora. Não só as composições são de inegável talento, quanto suas versões de músicas folk chamam a atenção pelo conhecimento musical e bom gosto das composições. E além do violão, toca também ukelele, gaita, banjo, escaleta e piano.



É meio triste ver a quantidade de pessoas que desdenham do trabalho da Mallu por pura má vontade, fazendo menção ou ao estilo pessoal dela, ou ao seu relacionamento com o Marcelo Camelo. Mas o que não se pode impedir é o seu crescimento como cantora e instrumentista, o que logo poderá ser visto com o seu novo disco.

Ah, e ela é o máximo no palco.
Pra ver o blog dela: http://www.mallumusic.com.br/

foto de Daniela Cerasoli



Marilena Chaui



Se bem me recordo, o primeiro contato que tive com a professora Marilena Chaui foi no brilhante programa Ética, que a TV Cultura exibiu nos primórdios dos anos 90. Infelizmente nunca vi nenhuma de suas aulas, mas diversos livros seus já passaram pelas minhas mãos, já que boa parte deles é leitura incontornável pra quem estuda filosofia na universidade.



Nascida em 1941, na cidade de Pindorama, São Paulo, ingressa na faculdade de filosofia da USP aos 19 anos, concluindo a graduação em 5 anos. Dois anos depois defendeu sua dissertação de mestrado, Merleau-Ponty e a Crítica do Humanismo, sob a orientação do mítico Bento Prado Jr. Depois disso, foi fazer seu doutorado sobre Espinosa na França, defendendo sua tese quatro anos depois. Mais seis anos e sua tese de livre docência estava pronta: A Nervura do Real, obra que posteriormente foi publicada pela Cia das Letras, mas que eu tenho muito medo de ler (pela complexidade e tal). Em 1987 prestou concurso e se tornou professora na USP. 



Ajudou a criar o Partido dos Trabalhadores, e exerceu a função de secretária da cultura da prefeitura de São Paulo na administração de Luiza Erundina, de 1988 a 1992. Apoiou Lula durante todos os dois mandatos e mantém apoio irrestrito a Dilma, mantendo sua fidelidade ao partido mesmo quando sob forte ataque.

Um aspecto importante sobre sua obra é que ela pode ser lida tanto por filósofos quanto pelo público em geral. Obras como Convite à Filosofia, O que é Ideologia, e sua série sobre a História da Filosofia possuem uma linguagem altamente acessível, o que se reflete no alto número de vendas.


Eva Furnari



Provavelmente vocês que me lêem certamente se divertiram à beça com os livros da Bruxinha na época da escola. Me recordo que na terceira série, quando fazíamos a visita semanal à biblioteca, os livros da Bruxinha, da Eva Furnari, eram de longe os mais concorridos.



Nascida em Roma, na Itália, Eva Furnari veio com a família para o Brasil quando tinha 2 anos. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo na USP e dos 26 aos 31 anos foi professora de artes no museu Lasar Segall. Aos 28 anos começou a se dedicar a ilustração, ganhando em 1987 o prêmio abril de ilustração. Em 1996 começou a escrever suas próprias histórias, e hoje soma mais de 60 livros lançados. Ah, e ganhou o prêmio Jabuti 6 vezes!



Trabalhou durante quatro anos na Folha de S. Paulo, e foi lá, na folhateen, que criou sua personagem mais célebre: a bruxinha. Coloquei a seguir um vídeo dela falando sobre seu processo criativo. Vale a pena.



Eu sou um grande entusiasta de literatura infantil. E quem gosta desse tipo de livro sabe que o que mais se encontra por aí são livros simplórios e estereotipados, que não tem o mínimo respeito pela inteligência da criança. O que encontramos na obra de Eva Furnari é uma literatura que diverte e instiga a criatividade. A ausência de palavras transforma o leitor em co-autor, e há um cuidado visível tanto com o conteúdo quanto com a forma da história.

Um sucesso mais que merecido para esta autora que sabe mesclar tão bem arte, afeto e prazer.

http://www.bibliotecaevafurnari.com.br/index2.php