Aproveitando que hoje eu postei umas fotos da Diane Arbus, vou falar um pouco de outra fotógrafa importantíssima do século XX, Lissette Model, nascida na Áustria em 1906. Quando criança, era estuprada pelo pai, um médico do exército, que morreu quando ela tinha 18 anos. Foi então que começou a estudar música, com o compositor Arnold Schoenberg.
Aos 20 mudou-se para Paris, onde continuou estudando canto e piano. Uns anos mais tarde, na década de trinta, se casou com um pintor russo, e foi então que a fotografia entrou na sua vida. Em 1938 se mudaram para Nova Iorque, onde suas fotografias publicadas na Cue Magazine fizeram um baita sucesso. Posteriormente, trabalhou para a Saturday Evening Post, Vogue, Cosmopolitan e outras revistas.
Pra quem vê seu trabalho, fica claro que Arbus deve muito de seu trabalho a Model. Não, evidentemente, que se trate de cópia ou algo do tipo. Os estilos são diferentes, isso um olhar mais atento não deixa dúvidas. A alegria e efervescência da Metrópole são palpáveis, estão em cada foto. Os clubes noturnos, cheio de tipos estranhos, a movimentação da cidade, sua solidão.
A juventude da Dercy Gonçalves é uma dessas histórias típicas de trama de novela. Nascida numa família pobre do interior do Rio, viu ainda criança a mãe ir embora depois de descobrir a infidelidade do marido. Era chamada de negrinha, pois era neta de negros, e sofreu muito com o pai alcoólatra.Trabalhou na bilheteria do cinema e também em peças apresentadas aos hóspedes de um hotel. Até que, aos 17, fugiu com uma companhia de teatro. Legal, né?
Estreou nos palcos aos 22 anos, na compahia Maria Castro, logo em seguida fazendo teatro itinerante, apresentando-se em cidades de interior. Uma vida certamente sonhada por muitas meninas, a de viajar e trabalhar com arte. Isso numa época em que moça de família ficava longe de teatro. Mulher no teatro era sinônimo de puta.
Com esse aprendizado totalmente autodidata, especializou-se na comédia e no improviso, integrando o Teatro de Revista - que era essencialmente popular - no seu auge. Nos anos 60 iniciou sua carreira solo, fazendo apresentações tipo stand up. Em 63 era a atriz mais bem paga da tv Excelsior, e no final dessa década comandou um programa de auditório de muito sucesso chamado Dercy Verdade. Trabalhou em vários filmes, principalmente nas chanchadas da Atlântica. Tem em torno de 24 filmes no currículo.
Quando já estava chegando aos 80 anos, tomou um balão de um empresário inescrupuloso e teve que voltar à ativa, em programas de auditório do Silvio Santos e mesmo em pontas em novelas da globo e do sbt.
Acho que a minha geração conhece apenas essa fase final da Dercy, aquela velha de aparecia na tv pra falar palavrão. Mas essa mulher era dura na queda. Sofreu o diabo na vida, mas sempre esteve ligada ao mundo do espetáculo, até sua morte em 2008, aos 101 anos.
"Todas as manhãs, a solidão me deixa deprimida. Moro sozinha, tem três pessoas que se revezam para me acompanhar. Minha filha não mora comigo. Filho não gosta de mãe; é a mãe que gosta do filho. Eles crescem, ganham independência e passam a ter prioridades. Eu me animo no cair da tarde, às 16h mais ou menos. Luto para ter forças para sair. Aí me arrumo, vou pro bingo. Lá, sou muito bem tratada, ganho cartelas e me distraio. À noite, vou a festas, jantares, adoro comer. E volto pra casa, durmo feliz. Assim são meus dias, sem expectativa"
Hoje de manhã eu enfim assisti ao filme A Pele, que é uma ficção que imagina um período crucial da vida da fotógrafa americana Diane Arbus. O filme é bom, muito melhor do que eu imaginava, e me fez dar uma fuçada mais atenta em seu trabalho. Compartilharei algumas dessas fotos com você.
"Para mim o sujeito de uma fotografia é sempre mais importante que a fotografia. E mais complicado..."- Diane Arbus, fotógrafa
Nascida em 1923, casou-se aos 18 com um fotógrafo, Allan, com quem trabalhava em fotografias de moda e retratos comerciais. Anos depois separa-se do marido e começa ela mesma a fotografar, trabalhando nos anos 60 como fotojornalista para revistas como Esquire, New York Time Magazine e Sunday Times.
Retratando pessoas a margem da sociedade e de seus padrões, Diane nos apresenta um mundo desconhecido, marcado pelo diferente, pelo bizarro, pelo destoante. Seu olhar é marcado por uma ligação com esse universo marginal, uma fascinação que nunca cai no paternalismo ou na crítica. Seus retratados são de uma humanidade gritante, quase sempre inofensivos, patéticos, e - mesmo incomuns - bastante ordinários.
Em 1971 tomou barbitúricos e cortou os pulsos. Um ano depois o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque promoveu a maior retrospectiva de seus trabalhos até então. O catálogo da exposição é, até hoje, um dos livros de fotografia mais influentes - e vendidos - do mundo. Também em 72, Diane foi a primeira fotógrafa americana escolhida pra integrar a Bienal de Veneza.