terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lulina



Ah, já fazia um tempinho que não rolava esse prazer da descoberta de um talento verdadeiro. Agradeço imensamente à Livia por ter me mostrado a música da minhoca. Mas, vamos lá. Lulina é o pseudônimo de Luciana Lins, publicitária de formação, mas compositora e cantora por talento e vocação. Nascida e criada em Recife, há 30 aninhos atrás, mora em São Paulo a 7. Desde criancinha já desenhava e rabiscava algumas linhas, e lá pros 15 começou a escrever poemas. Aprendeu a tocar violão naquelas revistinhas de banca, e pra musicar seus escritos foi um pulinho. 




As musicas foram gravados em sua casa mesmo, e distribuídas pra amigos. É um esquema parecido com o da Mallu, o que acho bem interessante, pq é assim que os talentos verdadeiros aparecem. Os discos gravados de forma caseira são: Acoustique de France, Cochilândia, Abduzida, Nublada em Surto, Bolhas da Pleura, Sangue de ET, Translúcida e o duplo Aceitação do 14 / Aos 28 Anos Dei Reset Na Minha Vida. Seu primeiro disco de estúdio, Cristalina, foi lançado em 2009.




Achei um site com uma entrevista bem interessante com ela http://www.aprancheta.com/musica/lulina/

(Sobre coisas que a fazem feliz) Tomar cerveja com os amigos me deixa muito feliz; praia: eu acho uma vibe massa, apesar de ir pouco; tocar ao vivo com a banda; compor: eu boto pra fora os aperreios; pão quentinho, que acabou de sair da padaria, com manteiga derretendo; dormir sem alarme; comidinha de mainha: todo ano a trago pra cá e rola o Bethânia Fest, em que ela cozinha pra todos os amigos e é maravilhoso; escrever meus contos e minhas coisas que não mostro a ninguém; ouvir música: fone de ouvido o tempo todo; viajar com amigos; feriados; estar apaixonada; e conhecer pessoas interessantes.


Uma beleza, né. Ah, Lulina lançou um livro, por conta própria, chamado O Livro das Lamúrias. Custa 13 reais, e quem quiser comprar é só mandar um email pra  lulina.abduzida@gmail.com. Acho que vou comprar um.






Ah, dêem uma olhadinha no blog dela:
http://lulina.blogspot.com/

e também http://lulilandia.wordpress.com/

Leila Lopes



Acho que o concurso de miss rolou ontem, daí hoje de manhã fiquei sabendo que uma mulher negra havia vencido. Achei bem legal. Nunca me liguei muito nesse lance de concurso de beleza, sempre achei os padrões um pouco distantes do mundo real. Mas o concurso de Miss Universo é algo tradicional, existe desde 1952 e coisa e tal. E, bem, a minha opinião sincera é que essa Leila Lopes era inegavelmente a mais bonita da meninas.

Leila Lopes tem 25 aninhos e nasceu na Angola. Atualmente mora em Londres.

Unh... agora que a ficha caiu. Tipo, ela é a mulher mais bonita do mundo.

Legal né.
E é da minha cor!



sábado, 10 de setembro de 2011

Roseana M. Garcia


 Completa hoje 10 anos do brutal assassinato do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos. Toninho do PT assumiu a prefeitura em janeiro de 2011, revitalizando áreas culturais desativadas, batendo de frente contra o crime organizado e enxugando o gasto com empresas de merenda escolar e coleta de lixo. Seu estilo transparente e implacável lhe rendeu inimigos, e em 10 de setembro foi assassinado na saída do Shopping Iguatemi, às 22 horas, quando voltava de uma loja de ternos. Como vivemos nessa piada chamada Brasil, o crime - com evidentes motivações políticas - foi considerado acidental, pela polícia, e atribuída a traficantes. Enfim, a investigação foi um tremendo imbróglio coalhado de sujeira, má vontade e omissão. Quero falar agora acerca de uma figura ímpar, uma mulher forte e incansável, que luta desde então para que a justiça seja feita nesse país de bandidos e assassinos.

Estou falando da esposa do Toninho, Roseana Garcia.



É bem difícil encontrar informações sobre a vida da psicóloga Roseana. Sua atuação pública começa mesmo após a morte do marido. As investigações não chegam a lugar nenhum. A políca acusa o traficante Andinho e mata seus comparsas que atiraram no prefeito - numa clara queima de arquivo. O ataque às torres pelo Bin Laden ofusca o caso, que fracassa em encontrar os culpados.

Em 2004, Roseana entrega para o então presidente Lula um abaixo assinado contendo 53 mil assinaturas, pedindo a intervenção da Polícia Federal no caso. Lula teria dito a ela que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para solucionar esse crime pérfido. Claro, ela nunca teria resposta sobre o pedido. Certamente Lula tinha coisas mais importantes a fazer, como acobertar petistas ladrões.



Roseana, junto com a família e amigos, começam a pressionar o governo por resultados. É criado a organização Quem Matou Toninho, e todo ano é realizado um ato no local do assassinato, onde a figura do prefeito é rememorada e a omissão por parte do Estado Brasileiro é anunciada. Declarou em 2005:

"Em 1991, quando era vice-prefeito [de Campinas], o Toninho denunciou corrupção na prefeitura petista. Este é um momento político para se reabrir as investigações sobre a morte dele"

Ainda em 2005, na CPI dos bingos, volta a afirmar que o assassinato do marido foi político, provavelmente por ele ter contrariado interesses da prefeitura São anos difíceis, ninguém parece se interessar, ou mesmo se importar em descobrir quem foram os mandantes do assassinato. Roseana continua lutando, ano a ano, pedindo a intervenção da PF.



Em julho de 2009, o juiz José Henrique Torres rejeitou a denúncia contra Andinho feita pelo ministério público, reabrindo a discussão sobre o assassinato. Os desembargadores negaram por unanimidade a decisão, impedindo Andinho de ser levado ao tribunal pelo caso. Essa foi uma importante vitória na luta.

E a luta continua. Neste anos, Roseana e a família preparam uma denúncia à Organização dos Estados Americanos por omissão do Estado brasileiro na apuração do crime. A denúncia à OEA deve ser encaminhada até o fim deste ano por meio do CIDH (Comissão Interamericano de Direitos Humanos). Caso aceite o pedido da família como legítimo, a OEA poderá impor sanções ao governo brasileiro e publicar uma nota com recomendações como forma de pressão externa.

“O Antonio atrapalhou muitas negociatas. Até hoje o caso não foi esclarecido, e o crime de mando nunca foi investigado”, disse a viúva. “Foi um crime político. Ele morreu porque não se vendeu e contrariou muitos interesses”

Torço pra que um dia a verdade venha à tona.
E que Roseana possa descansar em paz.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rosely Sayão


 Pra quem nasceu nos anos 80 e viveu a adolescência nos 90 sabe o quanto Rosely Sayão foi uma figura incontornável. Sempre presente na tv, falando sobre sexo para os adolescentes, Rosely era apresentada como sexóloga, e era ouvida atentamente por uma molecada que ainda não dispunha de internet pra sanar suas infinitas dúvidas sobre os próprios corpos e os corpos dos outros.

Nascida em São Paulo, em 1950, foi morar com a família em Piracicaba. Estudou toda a vida em colégio público, repetindo o primeiro ano do ensino médio - dado que ela se orgulha de ostentar. Não suportando mais a vida familiar, e sem interesse em casar cedo, resolveu ir cursar psicologia na Puc aqui de Campinas. Se formou e foi dar aula pro ensino fundamental e médio. Casou e teve dois filhos. Permaneceu 12 anos na academia, daí resolveu parar com tudo.


Se divorciou no inícios dos 80, dedicando-se aos filhos, ao trabalho na clínica e em educação. Em 1989 inicia sua escrita pública no imortal jornal paulistano Notícias Populares. Tratava-se de uma coluna sobre sexo intitulada "Tudo Sobre Sexo". Em 93 passou a escrever uma coluna de sexo no caderno Folhateen, da Folha de S. Paulo, e foi aí que sua presença passou a figurar em programas de entrevistas na tv, como o Programa Livre do Serginho Groisman.


Já lançou vários livros sobre sexo e educação de filhos, e atualmente escreve para o caderno Equilíbrio, da Folha. É colunista do Band News FM e do Momento Família do Uol News.


Pra quem quiser conhecer suas colunas, recomendo forte. São reflexões interessantes sobre educação e vida no mundo contemporâne. O blog dela: http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Hilda Hilst

Desde que eu criei esse blog, quero escrever sobre a Hilda. Mas eu sempre adio. Não sei o motivo. Desculpem-me, mas eu ainda não vou falar sobre ela. Vejam os vídeos, leiam alguns de seus escritos. Num dia em que eu me sentir mais preparado, talvez enfim escreva.






I
Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.


II
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura. 
Crueldade.


III


Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.


(Do Desejo, 1992)




 Espírito natalino é um saco preto, hordas de delinqüentes, turbas de atoleimados te exigindo caras, posturas, o riso alvar, cestas, granas e tu mesmo basicamente arruinado, e criancelhas peidando adoidadas, escoiceando os ares, e mãezinhas num azáfama de um cair de tarde bordelesco, pra lá pra cá, e Jeshua entregue às traças, imagine o arrepio do Divino vendo o trotoar dos humanos, enchendo as panças, arrotando grosso, chupando os dentes, enchendo as latrinas, as mandíbulas sempre triturando, e o nenen lá na manjedoura, entre a vaca e o jumento... Que pai é esse que manda o filho pra um planeta de bosta como é a Terra... Se fosse um bom pai, o filho teria encarnado num corvo, a gente só ficaria olhando lá pro corvo nas alturas e dizendo: olha lá o divino, olha que lindo! E o divino com asas, só de nos ver de longe se escafederia, tem dó, pai, aquela gente não, por favor, pai, Abracadabra, pai, me transforma em fumaça, em rojão, em poeira, mas me afasta daqui, me afasta!
(Casos & Carícias e Outras Crônicas)









Dane Shitagi

A dica desse post veio da Marielle Kellermann. Valeu Mari!

Dane Shitagi é uma fotógrafa residente em New York, nascida no Havaí, bastante interessante. Pra quem acompanha esse blog, sabe que eu não costumo falar muito sobre as fotógrafas, principalmente sobre as vivas. Mais interessante é mostrar suas fotos. Aí sim a coisa fica interessante.

As fotos daqui fazem parte de uma série intitulada New York City Ballerina Project, onde bailarinas são fotografadas em ambientes urbanos.


















Bem bacana, né?
Selecionei também outras fotos dela, que não fazem parte desse projeto. Reuni algumas que giram em torno de pés femininos, que claramente é um tema recorrente em seu trabalho.














Para mais fotos, deem uma espiada no site dela: http://www.daneshitagi.com/