terça-feira, 6 de setembro de 2011

Hilda Hilst

Desde que eu criei esse blog, quero escrever sobre a Hilda. Mas eu sempre adio. Não sei o motivo. Desculpem-me, mas eu ainda não vou falar sobre ela. Vejam os vídeos, leiam alguns de seus escritos. Num dia em que eu me sentir mais preparado, talvez enfim escreva.






I
Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo. E que descanso me dás
Depois das lidas. Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.


II
Ver-te. Tocar-te. Que fulgor de máscaras.
Que desenhos e rictus na tua cara
Como os frisos veementes dos tapetes antigos.
Que sombrio te tornas se repito
O sinuoso caminho que persigo: um desejo
Sem dono, um adorar-te vívido mas livre.
E que escura me faço se abocanhas de mim
Palavras e resíduos. Me vêm fomes
Agonias de grandes espessuras, embaçadas luas
Facas, tempestade. Ver-te. Tocar-te.
Cordura. 
Crueldade.


III


Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.


(Do Desejo, 1992)




 Espírito natalino é um saco preto, hordas de delinqüentes, turbas de atoleimados te exigindo caras, posturas, o riso alvar, cestas, granas e tu mesmo basicamente arruinado, e criancelhas peidando adoidadas, escoiceando os ares, e mãezinhas num azáfama de um cair de tarde bordelesco, pra lá pra cá, e Jeshua entregue às traças, imagine o arrepio do Divino vendo o trotoar dos humanos, enchendo as panças, arrotando grosso, chupando os dentes, enchendo as latrinas, as mandíbulas sempre triturando, e o nenen lá na manjedoura, entre a vaca e o jumento... Que pai é esse que manda o filho pra um planeta de bosta como é a Terra... Se fosse um bom pai, o filho teria encarnado num corvo, a gente só ficaria olhando lá pro corvo nas alturas e dizendo: olha lá o divino, olha que lindo! E o divino com asas, só de nos ver de longe se escafederia, tem dó, pai, aquela gente não, por favor, pai, Abracadabra, pai, me transforma em fumaça, em rojão, em poeira, mas me afasta daqui, me afasta!
(Casos & Carícias e Outras Crônicas)









Dane Shitagi

A dica desse post veio da Marielle Kellermann. Valeu Mari!

Dane Shitagi é uma fotógrafa residente em New York, nascida no Havaí, bastante interessante. Pra quem acompanha esse blog, sabe que eu não costumo falar muito sobre as fotógrafas, principalmente sobre as vivas. Mais interessante é mostrar suas fotos. Aí sim a coisa fica interessante.

As fotos daqui fazem parte de uma série intitulada New York City Ballerina Project, onde bailarinas são fotografadas em ambientes urbanos.


















Bem bacana, né?
Selecionei também outras fotos dela, que não fazem parte desse projeto. Reuni algumas que giram em torno de pés femininos, que claramente é um tema recorrente em seu trabalho.














Para mais fotos, deem uma espiada no site dela: http://www.daneshitagi.com/

sábado, 3 de setembro de 2011

Sofia Coppola



Ah, Sofia...

Ela nasceu em 1971, filha do velho Francis com a decoradora Eleanor. Logo bebezinho, fez uma ponta no filme do pai, O Poderoso Chefão. Ela é o bebê do Michael Corleone que é batizado no final. E foi nesse onda de nepotismo que apareceu em 7 filmes do pai coruja. Aos 15 se graduou pelo instituto de artes da Califórnia. Aos 18 ajudou o velho a escrever Live Without Zöe, segmento do filme New York Stories.



No ano seguinte, assumiu o papel de Mary Corleone, depois que Winona Wyder pulou fora do projeto. Sua atuação foi absolutamente massacrada. Mas eu não acho que ela esteja tão ruim. Acho sim que é covardia botar uma estreante pra atuar ao lado de monstros como Al Pacino, Diane Keaton e Andy Garcia. Mas talvez essa experiência tenha sido boa pra tirá-la da frente das lentes, e levá-la pra trás delas.



Em 1998, Sofia dirige seu primeiro curta, Lick the Star. Acabei de ver, é uma história engraçadinha, filmado com aquela vontade de fazer um negócio interessante.


E então, no ano seguinte, lança As Virgens Suicidas, um drama sensível e perturbador. Quatro anos depois ela chama Bill Murray e Scarlett Johansson pra ir ao Japão e cria o maravilhoso Encontros e Desencontros. Ali sim ela justifica sua escolha pela profissão, ali ela honra o sobrenome, ali sim é possível notar um olhar maduro e único sobre questões delicadas e profundas. É dos meus filmes favoritos desde que o vi, e vou ser eternamente grato à Sofia por tê-lo feito.



Em 2006 causou um rebuliço com seu Marie Antoniette, uma cinebiografia que estava se lixando pra pegada política da história, concentrando-se na vida e rotina na biografada. E agora em 2010 ela lançou Um Lugar Qualquer, que eu ainda não vi.



Deixa eu ver o que mais compensa comentar... ah, fofoca. Ela foi casada com o Spike Jonze de 1999 a 2003. Daí conheceu o músico Thomas Mars e tiveram 2 filhos. Atualmente moram todos em Paris.  


Ah, e pra quem quiser saber mais, taqui o blog dela: http://oohsofia.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As Mulheres Cientistas da Antiguidade

Estava conversando ontem com minha amiga Marília, que escreve aqui, e ela me deu um toque pra postagem de hoje. Decidi agrupar essas mulheres porque as informações sobre elas são muito escassas.

Merit Ptah (cerca de 2700 aC)
Merit foi uma cientista egípcia, considerada a primeira médica do mundo. Sabemos disso pela inscrição encontrada numa tumba na necrópole a pirâmide de Saqqara. Seu filho, um alto sacerdote, a descreveu como "Médica-Chefe". Essa inscrição faz Merit ser a primeira mulher de ciência a ter o nome preservado.


Merit, com o nariz machucado

Peseshet (? viveu depois da Merit)
Peseshet também era médica, provavelmente parteira. Viveu no egito, durante a quarta dinastia. Recebeu o título de "A supervisora das mulheres médicas".


Peseshet trampando sem perder a elegância

Aglaonike (século II aC)
Nascida na Tessália, Aglaonike é conhecida como a primeira mulher astrônoma da Grécia Antiga. Ela é mencionada numa escrito de Plutarco, que diz que ela observava os céus, e predisse a hora e o local que um eclipse lunar ocorreu.

Aglaonike viajando nas estrelas
 Agnodice (séc IV aC)
Agnodice ou Agnodike foi a mais antiga mulher da antiga Grécia a ser mencionada pelos gregos.
Natural de Atenas, aonde havia proibição legal para mulheres estudarem medicina De acordo com Gaio Julio, Agnodice disfarçou-se com roupas masculinas para assitir as aulas de Hierófilos, dedicando-se principalmente ao estudo da obstetrícia e da ginecologia.
Mulheres recusavam-na até que confessasse que era mulher. Quando começou a atuar, com muito sucesso, despertou a inveja de outros, pelos quais foi então intimada no Areópago e acusada de corrupção moral dos pacientes. Ao refutar as acusações fazendo-se revelar como mulher, foi imediatamente acusada de violar a lei; foi daí que as mulheres de chefes atenienses, atendidas por ela, responderam em seu nome e conquistaram a abolição da lei; a partir disso mulheres foram autorizadas a praticar a medicina e a serem remuneradas por isso.

 Agonodice ajudando a nova mamãe

 Teano (século IV aC)
Teano foi uma matemática e filósofa, filha de Pitonax de Creta, um físico e filósofo seguidor do orfismo. Teano foi aluna de Pitágoras e supõe-se que tenha sido sua mulher. Acredita-se que ela e as duas filhas tenham assumido a escola pitagórica após a morte do marido. Na escola grega conduzida por Pitágoras havia muitas mulheres acadêmicas e mestras. Os que participavam da escola viviam de maneira pública e publicavam os trabalhos todos sob o nome de Pitágoras (que pilantra esse Pitágoras, né!). Assim, hoje torna-se difícil determinar cada trabalho individualmente. Dentro da tradição pitagórica, Teano considerava que tudo que existe por ser distinto numericamente. O número é o princípio da realidade e da individualidade.

Teano, provavelmente pensando "meu, como esse meu marido é chato!"

Temistocléia (cerca de 600 aC)
Themistokleia foi uma filósofa, matemática e alta profetisa de Delfos um dos mais importantes oráculos da antiguidade grega. Ela é considerada a mestra de Pitágoras, que é chamado de o "pai da filosofia", visto que foi ele que cunhou o termo "filosofia". Também é chamada de "a primeira mulher filósofa", já que essa galera pré Sócrates transitavam sem crises entre ciência e mitologia.

Temistocléia, cheia de mistérios (a imagem à direita eu não descobri a autoria. Se alguém souber, fala aí)

 Maria - A Judia (por volta de 273 aC)
Também conhecida como Maria - a Profetisa, foi uma antiga filósofa grega e famosa alquimista que viveu no Egito. Alguns a situam na época de Aristóteles, uma vez que a concepção aristotélica dos quatro elementos formadores do mundo (o fogo, o ar, a terra e a água) condiz bastante com as idéias alquimistas de Maria, como o axioma de Maria: «o Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, e do terceiro nasce o Um como Quatro». Segundo Aristóteles, o enxofre era considerado a expressão do elemento fogo, e Maria o tomou como base para os principais processos que estudou. Ela menciona o enxofre em frases sempre misteriosas, como «uma pedra que não é pedra» e «tão comum que ninguém a consegue identificar». Maria conta que Deus lhe revelou uma maneira de calcinar cobre com enxofre para produzir ouro. Esse enxofre era obtido do disulfeto de arsênico, que é achado em minas de ouro. Talvez tenha sido essa a origem da lenda da transformação de metais menos nobres em ouro.

Dentre as invenções de Maria estão o kerotakis, uma espécie de barril fechado e o banho de vapor : para um aquecimento lento e gradual dos experimentos, em vez de manipular as substâncias diretamente no fogo, ela descobriu que era possível controlar melhor a temperatura se fosse por meio da água - que até hoje chamamos de banho-maria. . Para além disso dois equipamentos de destilação, com duas ou três saídas para destilados — o dibikos e o tribikos — e um aparelho para sublimação, sendo-lhe ainda atribuída a descoberta do ácido clorídrico.

Maria - A Judia


Hipátia (cerca de 355 - 415)
Criada em um ambiente de idéias e filosofia, tinha uma forte ligação com o pai, que lhe transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de respostas para o desconhecido. Diz-se que ela, sob tutela e orientação paternas, submetia-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico de ter a mente sã em um corpo são. Hipátia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica também não foram descuidadas.

Aos 30 anos já era diretora da Academia, sendo muitas as obras que escreveu nesse período. Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos confusos, com algum problema em especial, escreviam-lhe pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava. Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade.

Vivendo num ambiente tenso e violento, onde os conflitos entre cristão e pagãos eram constantes, a pensadora pagaria com a vida pelas suas idéias. Numa tarde de março de 415, quando regressava do Museu, Hipátia foi atacada em plena rua por uma turba de cristãos enfurecidos. Ela foi golpeada, desnudada e arrastada pelas ruas da cidade até uma igreja. No interior do templo, foi cruelmente torturada até a morte, tendo o corpo dilacerado por conchas de ostras (ou cacos de cerâmica, segundo outra versão). Depois de morta, o corpo foi lançado a uma fogueira.

 Hipátia, por Rafael.

 Hipátia, por Gasparo