quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Vashti Bunyan



[Esse post foi escrito pela querida Aline. Espero que seja a primeira de várias contribuições]


Vashti é uma cantora de folk, nascida em Londres, em 1945. Sua voz calma e aguda, acompanhada na maioria das vezes de apenas um violão e, noutras, alguma flauta ou percussão, preencheu de beleza músicas de uma carreira que, mais tarde, seria uma das maiores influências do chamado free folk contemporâneo.Sua carreira musical começou em 1964, quando foi descoberta por um manager dos Rolling Stones.




Nos anos seguintes ela gravou alguns singles, que não receberam a atenção merecida, e se afastou do ramo da música. Hoje, mais de 30 anos depois, Vashti volta a cantar ao lado de artistas inspirados em sua música, com Devendra Banhart e outros.



A simplicidade em seu trabalho, a forte essência dos anos 60 em suas composições e as letras melancólicas de Vashti mexem comigo de um jeito que não sei explicar. Cada música é uma viagem de serenidade e reflexão, cuja poesia mostra, por outro lado, um espírito um tanto quanto perturbado. Vale a pena parar e ouvir num dia chuvoso, dentro do ônibus, passando por ruas cheias de árvores escuras e úmidas, de preferência.




domingo, 20 de novembro de 2011

Gal Costa


Pecado supremo: não conheço lá muita coisa sobre a Gal Costa. O post foi um pedido da Lívia Tiede, então lá vou eu pesquisar sobre a Gal. Vamos ver se viro fã.


Vamos começar pelo nome da baiana, né. Maria da Graça Costa Penna BurgosNasceu em 45, e era chamada pela mãe de Gracinha. Durante a gestação a mãe colocava discos de música clássica para que a menina nascesse com um bom gosto para música. Aos dez anos Gal conheceu as irmãs Sandra e Dedé Gadelha, que se tornaram suas grandes amigas. Nesta época ela costumava cantar em casa, com uma panela na cabeça pra ajudar no retorno. Na adolescência trabalhou como balconista na maior loja de discos de salvador, a Roni Discos. Era apaixonada total por música, e grande admiradora de João Gilberto e Tom Jobim.


Aos 18 anos Dedé apresentou seu namorado Caetano Veloso a Gal, e aí se iniciou uma grande amizade que dura até hoje.


Anos depois, em 1964, Gal, junto com Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé e Maria Bethânia, estrelou o espetáculo ‘Nós, por exemplo’ no teatro Vila Velha, em Salvador. Neste mesmo ano, com a mesma galera, participa do ‘Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova’.

Neste vídeo, além da linda música, um depoimento apaixonado de Tom Zé

Em 64 se muda pra casa de uma prima no Rio de Janeiro. Sua primeira gravação em disco rolou no primeiro disco da Bethânia, de 1965, com a música Sol Negro, escrita pelo Caetano. Participou do festival da canção em 1966, e em 67 lançou seu primeiro disco, em parceria com Caetano Veloso, Domingo.


Em 1968 participou do disco Tropicália ou Panis et Circenses, ao lado da sua gangue de amigos inseparáveis. 



No ano seguinte lançou um disco solo que leva seu nome na capa.


Seguiu gravando músicas compostas por nomes como Torquato Neto, Roberto & Erasmo Carlos, Jorge Benjor, Geraldo Pereira, Jards Macalé, Luiz Melodia, Adoniran Barbosa, Dorival Caymmi e por aí vai.
Em 1976, junto com Gil, Caetano e Bethânia, participa do show Doces Bárbaros, que geraria o disco homônimo lançado em seguida. Na época a crítica malhou demais, mas hoje é considerado uma obra prima genial.



A partir daí Gal Costa lança sucesso atrás de sucesso, fazendo shows elogiadíssimos e aparecendo em especiais para a tevê. Em 1994 lançou o disco O Sorriso do Gato de Alice, que gerou um show dirigido por Gerald Thomas, que tinha como proposta fugir do óbvio e daquilo que o público esperaria dela. Com pegada intimista, descalça e vestindo roupas opacas. Quando ia cantar a música Brasil, do Cazuza, Gal abria a blusa e cantava com os seios à mostra. O público carioca ficou chocado e a reação foi bastante hostil. Mas essa atitude mostrava o quanto seu público havia mudado, que antes era composto por hippies cabeludos, e agora era todo formado por gente conservadora. Palmas para a Gal! Quando o show foi pra São Paulo, a recepção foi bem melhor por parte do público, pro espetáculo que se tornou o mais polêmico de sua carreira.  



Em 2007, Gal adotou um menino, Gabriel, e se retirou da vida pública para se dedicar à maternidade. Ainda faz shows, mas numa escala bem menor.


Pra quem quiser saber mais, encontrei esse blog que tem muitas fotos e uma descrição muito boa sobre a extensa carreira da Gal.
http://jeocaz.wordpress.com/tag/gal-costa/

Audrey Hepburn


Audrey nasceu em 1929, na Bélgica. Seu pai era banqueiro, e sua mãe era uma baronesa descendente de reis ingleses e franceses. Daí a gente saca melhor da onde vem seu porte nobre. Seus pais se separaram quando ela tinha nove anos, e a pequena Audrey foi enviada para um internato inglês.


Na Inglaterra ela começou a aprender balé e se apaixonou pela dança. Mas com a segunda guerra mundial ela teve que parar tudo, pois sua mãe a levou pra Holanda, que posteriormente foi invadida pelos nazistas, o que ocasionou tragédias terríveis em sua família.


Com o fim da guerra, ela voltou pra Inglaterra e pro balé. Sua professora a alertou que ela era alta demais para ser uma bailarina, e ela resolveu investir em outra área artística: atuação. Começou fazendo pequenos filmes e uma elogiada participação na peça Gigi. Seu primeiro grande papel no cinema veio em 1953, com A Princesa e o Plebeu. Ela ganhou o Oscar de melhor atriz por esse filme.



E três dias depois de ganhar o Oscar, recebeu o Tony de melhor atriz por sua atuação na peça Ondine, da Broadway.




Em dois momentos, com Mel Ferrer

Audrey se casou com o ator Mel Ferrer em 1954, e juntos tiveram um filho – após muitos abortos e complicações na gravidez. Foram casados até 1968, quando se divorciaram. Seis semanas depois ela se casou com um psiquiatra italiano que conheceu em um iate (o que é uma baita historia de filme). Com ele teve seu segundo filho.

O psiquiatra Andrea Dotti

Em 1987, Audrey tornou-se embaixatriz da Unicef. Ela sentia-se em débito com a organização, pois foi este órgão que a ajudou a sobreviver após o término da segunda guerra. Passou os anos seguintes viajando em missões da Unicef, dando palestras e concertos.



Em 1993 foi diagnosticada com câncer, e morreu no mesmo ano, aos 63 anos. Recebeu um Grammy póstumo pelo álbum infantil Audrey Hepburn's Enchanted Tales e o Emmy póstumo pelo programa informativo Gardens of the Worls.



Ilustrações de um livro infantil lançado sobre ela 


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Marilyn Monroe


Marilyn Monroe é um ícone supremo do século XX, isso é fato. Imortalizada pela pop art e pelo cinema, essa atriz americana viveu intensamente e morreu jovem, deixando um legado brilhante, porém envolto numa névoa de mistério. Talvez isso tenha ficado mais claro pra mim depois de assistir ao interessantíssimo filme A Minha Semana com Marilyn, lançado em 2011. Marilyn me parece ter sido uma mulher com muitos problemas, talvez pq não se encaixasse, talvez pq quisesse mais do que era possível ter. Enfim, vamos aos fatos.


Nascida Norma Jeane Mortensen em Los Angeles, em 1926, passou quase toda a sua infância em casa de parentes e orfanatos. Sua mãe sofria de problemas psicológicos e vivia num hospício, e o pai ela nunca conheceu. Vivia então com uma amiga da família, Grace McKee. Em 1942, quando Marilyn estava com 16 anos, o marido de Grace foi transferido. Para não se mudar, a jovem casou-se com seu namorado de 21 anos, Jimmy Dougherty. Segundo ela, Marilyn era uma menina doce, generosa e religiosa, que gostava de ser abraçada. Mas então Jimmy foi convocado para a Marinha, mudando-se pro Pacífico Sul.

Quando ainda era Norma, antes da loirice


Ela foi trabalhar numa fábrica, e lá foi descoberta por um fotógrafo da revista Yank, que estava tirando fotos de mulheres que ajudavam no esforço de guerra. Após as primeiras fotos, outros convites vieram. Em dois anos ela se tornou uma modelo respeitável, fazendo várias capas de revistas, e começou a ter aulas de atuação para teatro.

Marilyn num show para as tropas americanas na Coréia

E então seu marido voltou da guerra, mas não aceitava que a esposa fosse atriz. Como não dava pra conciliar carreira com casamento, o divórcio aconteceu. Em 1946 assinou contrato com a Fox e pintou o cabelo de loiro. Mudou seu nome de Norma Jeane para Marilyn Monroe. Monroe era o sobrenome de sua avó, e Marilyn era o nome mais chique e elegante da época.


Começou fazendo pequenos papés, principalmente em filmes de comédia, e rapidamente tornou-se querida de todo o público. Sua aparente inocência, fragilidade e vulnerabilidade se misturavam com sua inata sensualidade de mulher dominadora. Depois de uma elogiada participação em A Malvada, teve seu papel de maior destaque aos 27 anos, com Os Homens Preferem as Loiras. Taqui um trecho pra vcs curtirem:




Casou-se pela segunda vez aos 28 anos com o jogador de beisebol Joe DiMaggio, mas o casamento miou em 9 meses por causa dos ciúmes dele. Mas o casou ficou de boa, se separaram sem ressentimentos. .

Marilyn e Joe DiMaggio, seu segundo marido


Aos 30 ela abriu sua próprio produtora, a Marilyn Monroe Productions, responsável pelos seus futuros filmes, e mudou-se para Nova Iorque para estudar atuação na conceituada escola de Lee Strasberg. Passou a conviver intimamente com a família Strasberg, relação que durou até o final da sua vida. Susan Strasberg, filha de Lee, foi a mentora de Marilyn, relação que é exemplarmente retratada no já citado filme sobre a atriz, feito em 2011. A confiança de Marilyn era tanta, que, em seu testamento, ela deixou 75% de seu patrimônio para Lee administrar, o que rende fortunas para a família até hoje.  

Susan, Lee e Marilyn


Ainda em 1956 casou-se com o dramaturgo Arthur Miller, que viria a escrever o roteiro de Os Desajustados, o último filme completo da atriz. O casamento durou cinco anos.

Marilyn e Arthur Miller

Marilyn começou um relacionamento com o presidente John F. Kennedy (que na época nem era presidente ainda), logo depois de seu divórcio com Joe. Eles se encontravam e permaneceram juntos durante todo o casamento dela com Arthur. Quando veio a público seu divórcio com Arthur Miller, a notícia rendeu  milhares de manchetes nos jornais.






E então, subitamente, em 1962, aos 36 anos, Marilyn morreu enquanto dormia em sua casa. A versão oficial acusa overdose de barbitúricos. Era o fim (ou o começo) de uma lenda.

Marilyn, por Andy Warhol


E agora, mais algumas fotos: