sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Blanca Gómez


Pra quem mantém o hábito de entrar aqui de vez em quando já sacou qualé que é a minha: as mulheres que fazem arte são as mais mimadas por mim. Desculpa, mas fazer o que, sou assim! Sei que deveria rabiscar perfis de médicas, astronautas e matemáticas, mas eu sou um cara que funciona a partir do olhar, então aqui as artistas tem preferências, tipo, mesmo.

A de hoje vem da espanha, é uma ilustradora e designer chamada Blanca Gómez. O trabalho dela é uma beleza, uma fofurice sem fim. Espero que curtam.






















Pra mais, é só entrar: http://cosasminimas.com/

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tara McPherson


Tara McPherson nasceu em abril de 76, e mora em Nova York. Artista que cresceu desenhando flyers e posters pra bandas de rock e é fundadora da butique de arte Máquina de Algodão Doce, onde ela vende seus trabalhos. Há gravuras, pinturas, quadrinhos e esculturas. O trabalho dela me surgiu graças ao toque da Lívia Tiede. Aproveitem.

 Bridget Jones's Diary 2010

 Bunny Love, 2010

 Custom, 2004

 Dark Matter Witch 2010

 Dream A Little Dream, Page 2 of 3 2005
Fables 1001 Nights of Snowfall - Diaspora Page 8 2006 

Isolated Metronomes 2009 

Lilitu, 2010 

 Lonely Hearts Gang, Part 2 2004

 Mr. Wiggles vs. The Pin, 2005

 Playing With Fire - The Handler, 2009
Queen of Diamonds, 2005 

Sarah's Mustache Finger, 2011 

 Skull Flower (Turquoise), 2008

 Somewhere Under the Rainbow, Green, 2008

 The Day's Eye Black with Red, 2010

The Guilt Will Eat You Alive... If You Let It, 2008 

 The Witching #9 of 10, 2005

The Witching #10 of 10, 2005

Vejam o site da moça. Bem legal:

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Marjane Satrapi


Pra quem leu persépolis – ou mesmo viu o filme – falar sobre a infância e adolescência desta quadrinista e ilustradora é um tanto desnecessário. Pra quem não leu, ou não viu, digo somente uma coisa: não perca tempo, meu! É um negócio incrível, lindo. Vou falar um pouquinho só sobre ela, e colocar um trecho de sua entrevista e um tanto de seu trabalho, ok? Assim, pra quem achar bonito e se interessar, é só dar um pulo na livraria ou na locadora. Fechado?


Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969, e atualmente vive em Paris. Estudou no liceu francês de Teerã, onde passou a infância. Bisneta de um imperador do país, teve uma educação que combinou a tradição da cultura persa com valores ocidentais e de esquerda.


Aos 14 partiu para o exílio na Áustria, e depois retornou ao Irã a fim de estudar belas-artes. Tornou-se mestre em comunicação visual pela universidade de Teerã. Logo em seguida mudou-se para a França, trabalhando como ilustradora e autora de livros infantis. Em 2000 lançou o primeiro volume de sua hq autobiográfica, Persépolis - que teve ao todo quatro volumes. Em 2007 co-dirigiu uma adaptação de sua obra, com Vincent Paronnaud. O filme foi selecionado para o festival de Cannes.  

Marjane e Vincent
 "No primeiro livro eu tinha a vantagem de fazer algo bonito, porque eu sou apenas uma garota pequena, e não sou eu quem toma todas as decisões, não sou eu quem faz qualquer coisa. Assim, o mundo em volta de mim mudou, eu sou testemunha dessa grande mudança em torno de mim. A guerra começa, e depois de um tempo torna-se completamente normal, a situação da guerra. A sensação de que estou evocando no segundo livro é mais um problema de quando você está indo para uma nova cultura e realmente quer se adaptar, e você com certeza quer ser integrado. Você tem que esquecer a sua própria cultura em primeiro lugar. Você sabe, porque a cultura assume todo o espaço dentro de você. Se você quer que outra cultura entre em você, é preciso se livrar da primeira, e depois escolher o que deseja das duas e engoli-las novamente. 

Mas há o momento em que você olha para tudo e vê esta falta de identidade. Você não sabe mais quem você é. Que deseja muito estar integrado, mas, ao mesmo tempo você tem uma coisa toda que está dentro de você. É o problema que acontece quando se sai e volta, você se torna um estrangeiro em qualquer lugar. Eu sou uma estrangeira no Irã. Eu não vou correr o risco de voltar para o meu país mais, mas ao mesmo tempo, é um bom sentimento não pertencer a nenhum lugar mais, ao mesmo tempo, é um sentimento difícil. Então, se eu escrevi um livro e disse que eu estava preocupado com a situação no Irã o tempo todo, isso seria muito falso. Qualquer um dos que se mudaram do Irã - e havia muitos de nós que fizeram isso sem os pais - todos nós temos passado por este desejo de fazer parte de uma nova sociedade. E o engraçado é que todos os amigos iranianos que tenho agora, que deixaram o país sozinho aos 12, 13, 14 anos, tornaram-se extremamente iranianos depois de todos esses anos.

Porque quando se é jovem, misturar o fanatismo do governo do Irã com a cultura do seu país acaba sendo natural. Quando se é muito jovem, é tão difícil passar o tempo todo justificando-se por causa de sua nacionalidade. Uma pergunta simples que para todos tem uma resposta de uma palavra é " De Onde você é?" - "Eu sou francês." Para um iraniano, é uma explicação de uma hora: "Eu sou iraniano, mas, eu sou iraniana, mas ... "

Quando se é jovem é odiável responder a essa pergunta. Bem, hoje eu só dizer "eu sou iraniana", e eles dizem "Você é iraniano?" E eu digo "Sim, é um fato, eu sou iraniana. Eu nasci lá, eu tenho o cabelo preto. Sim, eu sou uma pessoa iraniana, o que posso fazer? "Desde que escrevi o livro, ninguém pode me dizer" Dá-me uma explicação. "Acho que agora a minha explicação é apenas" Leia o livro e você vai ver. "Este livro me permitiu não falar muito mais. 

Eu posso viver 50 anos na França e meu carinho será sempre com o Irã. Eu sempre digo que se eu fosse um homem eu poderia dizer que o Irã é a minha mãe e a França é minha esposa. Minha mãe, se ela é louca ou não, eu morreria por ela, não importa o que ela seja, é minha mãe. Ela está em mim e eu sou ela. Minha esposa eu posso enganar com outra mulher, eu posso deixá-la, eu também posso amá-la e fazer seus filhos, eu posso fazer tudo isso, mas não é como com minha mãe. Mas em nenhum lugar é a minha casa mais. Eu nunca terei qualquer outra casa.

Você vê, o problema básico de um país como o meu, além do regime, além do governo, é a cultura patriarcal que está levando o meu país. Que é o pior. É por isso que o governo ainda está lá. Tudo o que toca, dá a sua interpretação da coisa. Quando toca a psicologia que diz que a mulher é mais sensível que o homem. Quando toca a medicina diz que nosso cérebro é um pouco de peso inferior ao do homem. Quando toca qualquer coisa que dá sua própria interpretação, e a interpretação vai para a política, à religião, para tudo. Então essa é a situação. 

Você sabe, as feministas ficam muito bravas quando eu digo que não sou uma feminista. Eu sou uma humanista. Eu acredito em seres humanos. Depois do que tenho visto no mundo, eu não acho que as mulheres são melhores do que os homens. Veja o que os soldados mulheres fizeram no Iraque, que não era melhor do que os homens. Margaret Thatcher era uma mulher, olha o que ela fez à Grã-Bretanha. Ou Madeleine Albright? Assim, as mulheres não são melhores do que os homens"

Sofia Scholl


Nascida na Alemanha em 1921, Sofia Scholl foi criada como luterana e teve uma infância tranqüila. Aos doze anos escolheu se juntar à Liga das Moças Alemãs, como era costume entre suas colegas, mas logo o entusiasmo deu lugar a críticas. A prisão de seus irmãos e amigos pela participação no Movimento da Juventude Alemã deixou uma forte impressão sobre ela. A postura política passou a ser um critério fundamental para a escolha de amigos.


Com talento para o desenho e pintura, entrou em contato com os artistas considerados degenerados pelo Reich. Leitora ávida, desenvolveu grande interesse por filosofia e teologia.  Sua firme crença em Deus e na dignidade essencial de todo ser humano formou sua base para resistir à ideologia nazista.


Formou-se na escola secundária em 1940, e no ano seguinte passou uma temporada de seis meses no exército, como professora auxiliar de berçário. Essa experiência foi evidentemente fundamental para o fortalecimento sua resistência às idéias nazistas.


Em maio de 1942 ela se matricula na Universidade de Munique como estudante de filosofia e biologia. Junto com seu irmão Hans – que estudava medicina – formou um grupo de amigos com afinidade nos campos da filosofia e arte. Foi então que começou a participar do Rosa Branca, um movimento antinazista de resistência alemã e de inspiração católica.

Hans, Sofia e Christoph.

Ela, seu irmão Hans Scholl e Christoph Probst começaram a confeccionar panfletos contendo frases antinazistas e trechos do apocalipse. Os panfletos eram redigidos e depois copiados, sendo então entregues nas caixas de correio em casas de grandes cidades da Baviera – Berço do movimento nazista. Sofia era um elemento estratégico no grupo, já que a Gestapo parava menos as mulheres para revista. No total, distribuíram 6 edições dos panfletos, quando foram presos na universidade de Munique.


Esses panfletos fazem destes três jovens casos raros de alemães que se opuseram ao terceiro Reich. No tribunal, Sofia teria dito:
“Alguém afinal teve de começar. O que foi escrito e dito é também a crença de muitos outros.  Eles simplesmente não ousaram exprimir-se como fizemos”
No dia 22 de fevereiro de 1943, Sofia, seu irmão Hans e seu amigo Christoph foram condenados por traição e mortos na guilhotina no mesmo dia.


Entre fevereiro e outubro de 1943 foram mortos mais de 50 membros do movimento Rosa Branca.


Ah, antes que me esqueça. Vejam, tipo, mesmo, o filme Sofia Scholl – Uma Mulher Contra Hitler, de 2005. Reconstituição excepcional da da história, forte e emocionante.



terça-feira, 1 de novembro de 2011

Rosa Parks


A dica deste post veio de uma leitora de Araçatuba, a Joice Martins. Eu nem conhecia a história de vida da Rosa Parks, e foi sem dúvida uma bela descoberta.  

Rosa Louise McCauley, mais conhecida por Rosa Parks, nasceu no estado do Alabama, Sul dos Estados Unidos, em 1913, época em que os negros não tinham muita vez, principalmente no sul. Nasceu e cresceu em uma fazenda, e devido a problemas de saúde na família, foi obrigada a interromper os estudos e começou a trabalhar como costureira.
Em 1932 casou-se com Raymond Parks, membro da Associação Nacional Para o Progresso de Pessoas de Cor, uma organização que luta pelos direitos civis dos negros, da qual Rosa se tornou militante.
Tornou-se símbolo do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos por, em  de dezembro de 1955, por ter-se recusado frontalmente a obedecer a ordem do motorista do ônibus em que se encontrava para se levantar e dar seu lugar a um homem branco, tornando-se o estopim do movimento que foi denominado Boicote aos Ônibus de Montgomery, e posteriormente viria a marcar o início da luta antissegregacionista.


Quatro dias depois ela foi a julgamento, acusada de conduta desordeira e violação de lei local. O julgamento durou meia hora e ela foi considerada culpada, sendo multada no valor de dez dólares, mais 4 por despesas judiciais. Numa entrevista em 1992, ela lembrou:
“Eu não queria ser maltratada, eu não queria ser privada de um lugar que eu tinha pago. Houve oportunidade para eu tomar uma posição para expressar a maneira como eu me sentia sobre ser tratada dessa maneira. Eu não tinha planejado ser presa. Eu tinha muito o que fazer pra ir parar na cadeia. Mas quando tive que enfrentar essa decisão, não hesitei em fazê-lo, pois eu senti que tínhamos suportado por muito tempo. Quanto mais nos doamos, mais aceitamos esse tipo de tratamento, e mais opressivo isso se torna”
Foi através dessa atitude que o então jovem pastor negro Martin Luther King, Jr., concordando com a atitude de Rosa Parks, incentivava em seus sermões os negros fiéis a fazerem o mesmo. A atitude solitária de Rosa tornou-se um modelo para milhares de outros negros, mostrando que ela não estava sozinha.

Mesmo tornando-se um ícone, a vida não facilitou pra ela. Perdeu o emprego na loja de departamento em que trabalhava, e logo seu marido pediu demissão após seu patrão proibi-lo de falar sobre sua mulher. Mudaram duas vezes de estado, e Rosa ia se sustentando como costureira. Até que em 1965, o congressista John Conyers a contratou como recepcionista em seu escritório em Michigan, Chicago. Ela trabalhou lá até 1988. Seu marido morreu de câncer de garganta em 77.


Rosa Parks fazia muitas palestras pelo país, mas doava a maior parte do dinheiro para causas pelos direitos civis. Morreu velhinha, em 2005, aos 92 anos.