segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Rita Lee


Hoje quero falar sobre Rita Lee Jones Carvalho. A maior roqueira que esse país já teve a honra de ver nascer. Figura mítica, já fez parte da (minha opinião) melhor banda do Brasil, Os Mutantes, teve uma pancada de sucessos solos e já dublou a Rê Bordosa no desenho do Woody&Stock. Enfim, vamos à cronologia da velha Rita.




Paulistana, Rita nasceu em 1947, na Vila Mariana. Romilda, sua mãe, era imigrante de italianos, e seu pai, Charles, de norte-americanos. O Lee foi dado como sobrenome às filhas em homenagem ao General Lee, um figurão de destaque da guerra sulista americana. Durante a infância teve aulas de piano e sonhava em ser atriz de cinema ou veterinária. Chegou a cursar Comunicação Social na USP, mas largou depois de um semestre.



Durante a adolescência passou a interessar-se mais por música, apresentando-se em escolas da região como integrante do Tulio´s Trio. Em 63 forma, com mais duas garotas, o Teenage Singers. Em 64 elas conheceram o trio masculino Wooden Faces, e juntaram tudo pra formar um sexteto, chamado Six Sided Rockers, também conhecido como O´Seis. Foi aí que duas garotas e um cara saíram da banda, restando então Rita, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, que passaram a se chamar Os Bruxos. Por sugestão de Ronnie Von, mudaram o nome para Os Mutantes.



Ela integrou Os Mutantes de 1966 até 1972. A banda experimenta muito e quebra diversas barreiras musicais. Rita canta, toca flauta e percussão, além de usar outros objetos não usuais como bombas de detetização e gravadores portáteis. Foram um total de seis discos gravados. Sua saída é controversa, mas ela afirma que os dois achavam que ela não tinha o virtuosismo necessário para encarar a nova pegada progressiva da banda. Durante o período da banda, foi casada com o Arnaldo Baptista.


Em 67 o trio acompanhou Gilberto Gil no Terceiro Festival de Música da tv Record. O vídeo segue aí, pra quem se interessar:

Depois de ser expulsa dos Mutantes, Rita passa um tempo na fossa, mas logo monta uma banda com a amiga Lúcia Turnbull, As Cilibrinas do Éden. Mas o rolê não deu muito certo, e as duas montaram a banda Tutti-Frutti. O segundo disco, já sem a Lúcia, Fruto Proibido, consagra e consolida a popularidade e o sucesso de Rita Lee. É deste álbum as canções Agora só Falta Você, Ovelha Negra e Esse Tal de Roque Enrow.



Em 76, Rita conhece Roberto de Carvalho, seu grande parceiro no amor e na música. Fizeram uma porção de músicas juntos e estão de chamego até hoje. Em agosto de 76, já gávida (era o Beto Lee), Rita é presa pelos militares por porte de maconha. Mesmo alegando que havia parado de fumar por causa da gravidez, Rita é usada como exemplo e passa um ano em prisão domiciliar. 



Em 1979 participa do programa Mulher 80, da Rede Globo, dirigida por Daniel Filho. Vale a pena conferir essa figuraça nessa entrevista engraçadíssima. 


Os sucessos de Rita e Roberto vão rolando anos 80 adentro. Em 86 ela rompe o contrato com a Som Livre e inicia um programa de rádio com o amigo Antonio Bivar, com o pseudônimo de Lita Ri, o Rádio Amador. Esse momento obscuro da carreira dela pode ser conferido nessa reportagem da Manchete.


Em 1986 Rita publica um livro infantil, cujo protagonista é o ratinho branco Alex. As histórias eram inventadas e contadas por ela aos seus filhos. No total ela publicou 4 livros. Também colaborou com a revista Capricho de 91 a 92. Ah, e ela é vegetariana!






Em 89 fez uma participação na novela Top Model, e em 91 na novela Vamp - que ainda acho a mais legal de todos os tempos - e recentemente na TiTiTi. Também gravou um especial de natal pro Sai de Baixo.


Em 91 deixa Roberto (profissionalmente) pra seguir com a turnê voz-violão Bossa´n´Roll. Passa por altos perrengues por causa de drogas, tendo tido até uma overdose antes de abrir o show dos Stones em 95. Aliás sua relação com as drogas sempre foi intensa. Recentemente diz ter parado, mas só depois de muita internação e passagens por hospícios. Mas atire a primeira pedra o bom rockeiro que nunca foi chegado a um excesso. 


Neste ano (2012), Rita anunciou seu afastamento dos shows, já que está bem cansada. Mas não irá parar com a música. Em seu último show, em Aracaju, ao ver uns policiais agredindo uma galerinha que estaria fumando maconha em seu show, Rita se revoltou e falou um monte pro caras, no microfone, pra todo mundo ouvir. Mesmo aos 64 anos, Rita Lee ainda bota pra foder!



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Sylvia Plath


Acabei de assistir, com o Caio e a Bruna, ao Sylvia - Paixão Além das Palavras, uma ótima cinebiografia que retrata parte da vida dessa escritora. Confesso que nunca li nenhum de seus livros, mas acho mais que justo começar agora. Insiro a seguir um curto poema dela, Espelho.


ESPELHO

Sou de prata e exacto. Não faço pré-julgamentos.
O que vejo engulo de imediato
Tal como é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, simplesmente verídico —
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Reflicto todo o tempo sobre a parede em frente.
É rosa, manchada. Fitei-a tanto
Que a sinto parte do meu coração. Mas cede.
Faces e escuridão insistem em separar-nos.

Agora eu sou um lago. Uma mulher se encosta a mim,
Buscando na minha posse o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o brilho e a lua.
Vejo as suas costas e reflicto-as na íntegra.
Ela paga-me em choro e em agitação de mãos.
Eu sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã a sua face alterna com a escuridão.
Em mim se afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrível.

(tradução de Pedro Calouste)


Nascida nos Estados Unidos em 1932, Sylvia Plath é filha de pais austríacos, emigrados. Seu primeiro poema publicado saiu no suplemento infantil do jornal de Boston, quando ela tinha oito anos, na mesma época em que seu pai morre. No primeiro ano de faculdade, em Nova Iorque, ingere diversos comprimidos e tenta se matar, sem sucesso. Vai pra um sanatório e lá recebe tratamento de eletrochoque. Aluna brilhante, forma-se e recebe bolsa pra estudar na Inglaterra, onde escreve ativamente.






É lá que ela conhece o poeta Ted Hughes, por quem tem uma paixão imediata, casando-se em 1955. Mudam-se para os States, onde Sylvia leciona inglês para o ensino médio. A primeira filha nasce em 59, e os dois voltam para a Inglaterra. É nessa época em que a primeira coletânea de poemas de Sylvia, Colossus, é publicada. Em 61 ela sofre um aborto, tema que seria recorrente em sua obra.






O segundo filho do casal, Nicholas, nasce, mas a essa altura o casamento dos pais estava em crise, acentuada pelo caso de Ted com uma amiga em comum, Assia. O casal separa-se e Sylvia continua escrevendo. Em 11 de fevereiro de 2003, Sylvia, coloca as crianças pra dormir, veda seus quartos, liga o gás do fogão e toma vários comprimidos. Nas manhã seguinte foi encontrada morta pela enfermeira que havia contratado. As crianças estavam bem. Sylvia tinha 30 anos.


Sylvia tinha o costume de escrever em diários desde os 11 anos. Sua publicação foi concluída no ano 2000. Em 2009, seu filho Nicholas, que era depressivo, se enforcou. 




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Yoko Ono


Hoje eu tava de bobeira no face, daí o amigo Felippe Pompeo me mandou essa "bota a Yoko Ono nas mulheres que honram o rolê". Daí pensei "putz, ok, não tenho mais como me esquivar". hahhahahha. Na real eu sei que a mulher mais odiada do rock´n´roll (sim, mais que a Courtney Love) é uma baita artista incrível, com um milhão de trabalho em diversas áreas, e, bem, sempre me senti um tanto intimidado por ela. Mas então bora lá que a hora de falar dela é agora.




Onde ela nasceu? Acertou que disse Tóquio, Japão, no ano de 1933. A Wiki a define como cantora, cineasta e artista plástica vanguardista. Nós chegaremos lá.



Nascida numa família rica, estudou piano e canto na infância. Quando a segunda guerra começou, sua família fez algumas viagens aos Estados Unidos, até que se mudaram definitivamente pra Nova Yorque em 1952. Estudou numa universidade de música, onde conheceu diversos músicos de vanguarda com quem viria a trabalhar posteriormente.


Aos 23 anos ela se casa, contra a vontade dos pais, com um compositor japonês de música clássica, Toshi Ichiyanagi, com quem dividiu um apê onde faziam experimentações musicais, junto com o compositor John Cage. Nesse período ela começou a dar aulas de arte japonesa e música para alunos de escola pública.


A partir do fim dos anos 50, começa a trabalhar com artes plásticas, com obras de forte cunho conceitual. Uma delas é Painting to see the Skies, que consistia numa folha com instruções em japonês sobre como observar o céu a partir de uma simples tela.


Em 61 ela havia se desentendido com o marido e voltado pro Japão. Lá passa por um difícil período de depressão, pela crise no casamento e insucesso de crítica, e é internada num hospital. Se reencontra com um amigo com quem tem um caso e uma filha. Voltou pros States em 63. Foi aí que se juntou ao grupo vanguardista Fluxus, que tinham uma postura politizada e e libertária.


Daí ela fez umas apresentações no Carnegie Hall. Coloquei um vídeo de uma apresentação de 1965, uma performance onde ela fica no palco e o público chega e tem a liberdade de cortar uma pedaço da roupa dela.


Daí em 64 ela lança o livro Grapefruit, com instruções sobre obra de arte.






Entre os anos de 64 e 72 ela realiza dezesseis filmes experimentais. O mais conhecido (e polêmico) é o 4, também conhecido como Bottoms. O filme e esse aí:


As coisas estavam indo bem pra Yoko. Seu trabalho estava sendo reconhecido e em 66 foi convidada a fazer uma exposição individual. Foi aí que ela conheceu o John Lennon, que pirou numa instalação onde havia uma escada que levava a um teto de livro, onde havia uma lupa, e com ela era possível ler a inscrição "yes".


John financia a próxima instalação de Yoko,  Half-A-Room, e deixa sua esposa pra se casar com Yoko, em 1969, com quem passa a produzir composições de vanguarda, sem estrutura musical tradicional.




Foi então que seu foco voltou-se pra música. Ela lançou dois discos no início dos anos 70 que primavam pelo experimentalismo, agora não mais a partir da música erudita, mas do rock´n´roll. Esses álbuns foram gigantescos fracassos, mas hoje eles são respeitados como históricos trabalhos que influenciariam o rock experimental do fim dos 70, o industrial e o pós punk, além claro da música eletrônica. O Pompeu me indicou duas músicas pra ficar por dentro do trampo dela, e eu gostei muito. Aí vão:






Junto com John, realiza diversas ações em prol da paz mundial. Hoje em dia parece bobo, mas na época fazia todo o sentido. Nos anos 70 eles se aliaram a vários ativistas, muitos deles bem radicais, geralmente em prol de causas pró igualdade racial e feministas. O assassinato de John não faz com que ela pare com seu ativismo.






No fim dos anos 80 ela retorna às artes plásticas. Encontrei poucas informações sobre essa fase de seu trabalho, talvez por seu relacionamento com John ter ofuscado um tanto seu trabalho. 






Em 2002 ela criou seu próprio prêmio para paz, que é concedido a cada dois anos. O valor é de 50 mil dólares, e é concedidos a ativistas vivos. Hoje em dia ela faz umas apresentações com seus filhos, que também são músicos.