sexta-feira, 23 de março de 2012

Greta Garbo


Sem dúvida a figura mais glamourosa e misteriosa do cinema. É a diva da qual mesmo o muito que se fale ainda é pouco. Mais aí vai um resumão.


Greta Lovisa Gustafson. Nascida na Suécia, em 1905. Filha mais nova de três irmãos, começou a trabalhar aos 14 anos, como vendedora numa barbearia. E logo começou a estrelar comerciais publicitários de lojas de departamento, e também de padarias. Caiu nas graças do público sueco.


Estudou arte dramática por dois anos e foi apadrinhada pelo diretor finlandês Mauritz Stiller, como qual fez um filme. Foram pra Alemanha, onde conheceram o diretor Pabst, com quem filmou em 1925.


Quando Louis B. Mayer – o chefão da MGM - viu o filme que Greta havia feito com Mauritz, ficou fascinado e chamou os dois pra ir pra Hollywood. Foi então que ela mudou seu nome, fato pro qual há inúmeras versões diferentes.


Contudo, a atriz sueca não falava nada de inglês. E além disso ela era gorduchinha, tinha cabelo crespo e era meio dentuça. Então o chefão lhe ordenou uma rígida dieta, alisamento no cabelo e uma correção nos dentes. Em pouco tempo ela passou de uma pós adolescente fofucha pra um mulherão fatal.


Mas ela foi deixada meio na geladeira pelo Mayer. A virada veio em 1925, quando ela fez um ensaio fotográfico com Arnold Genthe, publicado pela Vanity Fair.




Dada a sensualidade evidente de Garbo, foi dado o aval do estúdio pra que seus filmes saíssem do papel. Seu primeiro filme americano saiu em 1926, Os Proscritos. Então teve início um reinado de quase duas décadas no cinema, marcado por um grande sucesso de público.


E então, aos 36 anos, Greta Garbo decide abandonar o cinema. Um tanto pelo mau desempenho de um filme que havia feito com George Cukor, Duas Vezes Meu, mas também pelo horror da Segunda Guerra Mundial, e também por estar cansada de uma vida de trabalho ininterrupto.


Seus planos eram dar um tempo até a guerra acabar. Mas essa pausa durou até sua morte, em 1990. Durante todos esse tempo que permaneceu longe do cinema, inúmeras vezes se cogitou sua volta às telas. Mas isso nunca rolou, na real. Greta Garba acabou tornando-se um mito, uma lenda da era em que Hollywood sugava seus astros e os cuspia depois.


Garbo, em 1951.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Kathrine Switzer


Acabei de descobrir sobre a existência de Kathrine agorinha, no face, pq alguém compartilhou essa famosíssima foto que eu botei aí em cima.


Kathrine Switzer nasceu em 1947 e foi a primeira mulher a correr na maratona de Boston, em 1967. Com numeração e tudo. Na época só homens poderiam correr, pois segundo os organizadores nenhuma mulher teria resistência para aguentar os 42.195 metros da prova.


Ela conseguiu o feito pq foi esperta, se registrou como KV Switzer, um nome neutro, e nenhum dos organizadores se ligou que ela era uma mulher. Então ela foi correr. No meio da corrida, um dos juízes a viu e correu pra tirá-la da prova, mas seu marido a ajudou, juntamente com outros homens que estavam perto dela, e a escoltaram até a linha de chegada. Ela completou a prova em 4 horas e 20 minutos.

Cinco anos depois a prova foi aberta também a mulheres.


Kathrine já correu 35 maratonas, vencendo a de Nova Iorque em 1974, e é considerada a sexta melhor maratonista do mundo.

Anna Muylaert


Acabei de ver o filmaço da Anna, É Proibido Fumar, e resolvi vir aqui pra escrever sobre ela.

Anna Muylaert, paulista nascida em 1964, já passou pela televisão, cinema e crítica de filmes. Na telinha, esteve ligada aos programas que fizeram a minha cabeça quando eu era criança, na TV Cultura: Mundo da Lua (1991) e Castelo Rá Tim Bum (1995). No primeiro,  participou da criação, coordenação de textos e edição do programa: no segundo foi roteirista e coordenadora de textos. Em 1998 participou da criação do Disney Club, do SBT.



O universo infantil sempre mereceu dedicação especial de Anna Muylaert, que também escreveu alguns livros para as crianças, “Diário de Bordo do Etevaldo”, “As Memórias de Morgana” e “As Reportagens de Penélope”, além de assinar o roteiro do premiado curta “O Menino, a Favela e as Tampas de Panela”, dirigido por Cao Hamburger. Se vc ainda não viu, tá aí, é curtinho mesmo.


Foi no formato curta-metragem que Anna Muylaert exercitou sua arte, roteirizando e dirigindo os premiados filmes: Rock Paulista, As Rosas não Calam, a A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti (1995). Esse último dá pra ver aqui no Porta Curtas:

Botei aí uma entrevista dela com o mala do Abujamra, vale a pena.


Como roteirista, Anna Muylaert participou dos roteiros dos filmes Castelo Rá Tim Bum (1999), de Cao Hamburger, e Desmundo (2002), de Alain Fresnot. Em 2000, Anna Muylaert estréia em longas com Durval Discos, uma cómédia de erros que é um achado, um belíssimo filme.


Em 2005 roteirizou  a série da HBO, Filhos do Carnaval, e em 2007, Alice, pro mesmo canal. Em 2007 também roteirozou o filme O Ano Em que Meus Pais Saíram de Férias, do Cao.Em 2009 dirigiu seu segundo filme, É Proibido Fumar, que ganhou uma penca de prêmios, o gosto do público e o respeito da crítica. produção 

Eu me formei em cinema e comecei como roteirista na TVCultura, mas acho que não dirigiria um filme que não escrevi. Para mim, o cinema é um processo inteiro. Quando decidi que queria fazer um filme. eu parei de trabalhar por um tempo, aluguei uma casa em Paraty e resolvi que queria ser uma diretora que tem um tipo. Que tipo era esse? Eu não sabia. Fiquei me debatendo, escrevi contos e comecei a trabalhar no embrião que viria a ser o Durval Discos. 
Foi um processo longo com muitos tratamentos, mas foi nele que eu reconheci um humor que é meu. Acho que o Durval e o É Proibido Fumar são irmãos na ironia. Pode parecer pretensioso, mas eu penso em criar uma obra, no sentido de um universo particular, um cinema que as pessoas reconheçam como meu. Eu fiz cinema porque os meu ídolos são diretores como Federico Fellini, Woody Allen, Pedro Almodóvar. E quando você assiste um filme deles sabe que ali tem uma visão de mundo. É o meu barato.

Dirigiu também o telefilme "Para aceita-la continue na linha", produção extraordinária que passou na tv cultura na época. Atualmente, Anna está em fase de captação de recursos pra seu próximo longa, Chamada a Cobrar.
 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Anna Karina


Nascida Hanne Karin Blarke Bayer, em 1940, na Dinamarca, sua mãe era proprietária de uma loja de roupas, e seu pai um capitão de navio que abandonou a família quando Ana tinha um ano de idade. Morou com os avós maternos durante os primeiros 3 anos de vida, e os próximos quatro morou num orfanato, até voltar à sua mãe. Descreveu posteriormente a infância como uma fase onde queria terrivelmente ser amada.





Aos 14 anos fez uma participação num filme dinamarquês que lhe valeu um prêmio em Cannes. Estudou dança e pintura e durante um tempo se sustentou vendendo seus quadros. Aos 17, depois de brigar com a mãe, foi embora pra Paris.



Sua ida pra Paris foi na total vida louca. Não sabia falar nada de francês, e não tinha um puto no bolso. Ficou vagando por cafés, até que foi abordada por uma mulher de uma agência de propaganda que propôs fazer umas fotos com ela. Puta golpe de sorte. Ela se deu bem na carreira de modelo, trabalhando para Pierre Cardin e Coco Chanel.


Aliás, seu nome profissional foi idéia de Coco Chanel: Anna Karina.


Foi nesse ano de 1959 que Karina participou de um comercial de sabonete, que seria visto pelo jovem Jean-Luc Godard, que estava lançando seu primeiro filme, Acossado. Ele ofereceu um pequeno papel a ela, mas ela recusou, pois ia ter nudez.


Mas ele não desistiu, e ofereceu um papel em seu filme seguinte, Uma Mulher é uma Mulher. Os dois se casaram em 1961, iniciando essa maravilhosa parceria que unia amor e arte. Karina tornou-se a musa da Nouvelle Vague, trabalhando com o marido em Viver a Vida, O Pequeno Soldado, Bande À Parte, Alphaville, O Demônio das Onze Horas e Made In USA. Separaram-se em 1967.



Karina também trabalhou com grandes diretores, como Rainer Werner Fassbinder, Jacques Rivette, George Cukor e Agnàs Varda. Em 1973 escreveu e dirigiu seu Vivre Ensemble, feito que repetiria em 2008 com Victoria.



Ah, e além de atuar, Karina também canta maravilhosamente bem. Lancou algumas músicas, mas dá pra conferir um tanto da sua voz na comédia musical Anna, que o Serge Gainsbourg escreveu especialmente pra ela, em 1967.


Anna ainda aparece esporadicamente em um filme ou outro, mas numa frequência bem menor que antes. Mas não faz mal. Anna Karina ainda é a grande musa dos cinéfilos apaixonados!


Ah, e pra terminar, Karina já escreveu quatro romances: Vivre Ensemble (1973); Golden City (1983); Emn'achète pas le soleil (1988); e jusqu'au bout du hasard (1998).



segunda-feira, 19 de março de 2012

Nina Simone


Hoje é dia de falar sobre a grande diva.


Nascida Eunice Kathleen Waymon, em 1933, na Carolina do Norte, Nina era a sexta filha de uma pobre família, cujo pai era trabalhador braçal e a mãe empregada doméstica e ministra da Igreja Metodista. Nina começou a tocar piano aos 3 anos de idade, na igreja.


 Aos doze anos se apresentou num recital clássico. Nessa ocasião, seus pais não puderam se sentar na frente, pois tiveram que ceder seus lugares para pessoas brancas, e foram sendo empurrados para o fundo. Nina se recusou a tocar se seus pais não tomassem bons lugares, e então eles foram novamente colocados à frente.


O empregador de sua mãe, ao ouvir o talento da pequena Nina, bancou suas aulas de piano, e também o ensino regular. Após se formar tentou entrar no Instituto Curtis pra tocar piano, mas foi rejeitada. Foi então para Nova Iorque estudar na Juilliard School of Music.


Aos 21 ela adotou o nome artístico de Nina Simone, sendo contratada pra cantar e tocar piano num bar em Atlantic City. Sua mistura de jazz, blues e música clássica conquista um pequeno número de fãs. Daí foi um passo pra gravar músicas e lançar seu primeiro single, um sucesso. A maioria dessas músicas tinha pegada pop, pois Nina precisava do dinheiro pra continuar suas aulas de música clássica.


Aos 28 ela se casou com um detetive de polícia de Nova Iorque, que depois se tornaria seu empresário, Andrew Stroud, um cara violento que espancava Nina freqüentemente.


Entre 60 e 64 lançou 9 discos, a maioria ao vivo. Em 1964 sua carreira mudou um pouco de rumo, pois o conteúdo de suas músicas mudou. Trocando a gravadora americana Colpix pela holandesa Philips, Nina Simone começa a abordar o tema da desigualdade racial, cantando músicas sobre crimes cometidos contra os negros. Várias de suas músicas foram proibidas no Sul.


Em seus shows, entre as músicas de cunho engajado, Nina mandava mensagens pró direitos civis. Apoiava todas as ações pró negros, inclusive as violentas, apoiando a idéia de os negros se armarem e formarem um estado separado – algo como o que o Malcom X pregava.



De saco cheio de todo o preconceito, Nina voou para Barbados. Seu marido interpretou isso como um rompimento, e, como seu agente, fodeu com as finanças da mulher. Quando voltou pros EUA, descobriu que havia um mandado de prisão pra ela, por impostos não pagos e por protestar contra a guerra do Vietnã. Não teve dúvidas. Voou de volta pra Barbados.


Lá, teve um caso com o primeiro ministro, mas logo mudou-se pra Libéria, na África. Depois passou pela Suiça e Holanda, até se estabelecer no sul da França, em 1992.


Durante os anos 80 Simone continuou fazendo pequenos shows, onde contava histórias sobre sua vida e brincava com o público, entre as músicas. Em 1987 a Channel usou sua música My Baby Just Cares For Me num comercial, o que jogou Nina novamente no gosto do público. Gravou com uma porrada de gente importante e voltou pra mira da fama.


Viveu de boa na França, apresentando-se em diversos países. Morreu em 2003, depois de sofrer por anos devido a um câncer de mama.