terça-feira, 16 de julho de 2013

Madison Young


Madison Young, nascida Tina Butcher, é uma atriz pornográfica, diretora, escritora publicada, educadora sexual e fundadora da Femina Potens Art Gallery, uma galeria de arte sem fins lucrativos e espaço de atuação que serve à comunidade LGBT.

Madison Young tem sido destaque por seu trabalho em pornografia feminista, bem como uma ativista gay em revistas como Bitch Magazine e Curve Magazine. Nos últimos três anos, a jovem tem sido vista em programas de televisão do Independent Film Channel, o History Channel, MTV, e em longas-metragens documentais. 


Young tem feito capas de diversas revistas populares do gênero pornográfico, como Hustler, Taboo e On Our Backs, e foi destaque na mídia impressa e rádio internacional. Ela já recebeu prêmios por seu trabalho 

Dêem uma espiada no site oficial dela.

infelizmente não existem entrevistas legendadas dela no youtube.

A seguir, uma tradução mequetrefe que eu fiz de uma entrevista dela, que pode ser conferida aqui.

Como você descreveria o Sexo Positivo (porque você o incorpora com muita clareza)?

Sexo Positivo refere-se a um conjunto de valores e qualidades que celebra as saudáveis ​​expressões da sexualidade. Algumas dessas qualidades incluem a comunicação, o consentimento, a autêntica/genuína expressão do prazer, a defesa do prazer, a celebração da diversidade dos corpos, etnia, identidade sexual, desejo.

Sexo Positivo refere-se à escolha e consciência de nossos corpos e o que nós escolhemos fazer com nossos corpos. O conhecimento de como o nosso corpo funciona, como comunicar os nossos desejos com nossos amantes e parceiros e como criar espaço para os nossos amantes e parceiros para comunicar os seus desejos em um ambiente favorável. Não é apenas sobre ser um ser altamente sexual, trata-se do conforto e do amor para os nossos corpos e prazer. Sinto uma alegria em ver alguém tendo um orgasmo, assim como eu sinto alegria em ver alguém rir ou dançar ou abraçar um ente querido.


Comunicação e conhecimento do próprio corpo parecem ser as suas duas principais recomendações para desfrutar o sexo na frente ou atrás das câmeras.

Eu acho que a maioria das pessoas, inclusive eu, cresceu com muita vergonha em torno de seus corpos e do desejo sexual. Vivemos em um mundo bizarro, onde nós somos fascinados por sexo e sexo é usado para vender tudo, desde um hambúrguer até telefone celular, mas temos dificuldade em falar honestamente sobre isso. A maioria de nós não recebemos essa educação na escola ou faculdade.

Por que você acha que isso é tão difícil?

As pessoas ficam preocupadas se os comentários sobre o que eles gostam ou não gostam no quarto vão colocá-los em uma posição em que eles serão julgados ou que seu parceiro vai se sentir julgado.

Se o seu parceiro realmente gosta de fazer algo sexualmente que faz você se sentir desconfortável, diga algo sobre isso e ofereça uma alternativa.

Por exemplo, se o seu parceiro está beliscar os seus mamilos, "Eu amo suas mãos, mas eu adoraria mais se elas estivessem dentro de mim. Eu prefiro a sua boca nos meus mamilos e a sua mão na minha boceta. Isso faz com que eu fique molhada só pensando na sua mão me preenchendo". Falar sobre sexo dá tesão, e isso leva a um sexo melhor.


Eu amei suas observações sobre a intimidade de BDSM, você pode falar um pouco sobre isso e talvez os equívocos?

Fui incorporando elementos de BDSM em minha vida sexual, desde que comecei a ter relações sexuais. Um dos elementos realmente maravilhosos do BDSM é que ele tem uma ênfase na comunicação e negociação. Negociação em uma cena BDSM é quase parte das preliminares envolvidas na sua dinâmica.

No sexo convencional não há necessariamente um momento em que você se senta confortavelmente com o seu amante para discutir o que curtem sexualmente, o que os excita, história, limites, os parâmetros em que você está entrando no relacionamento. Isso também é comum na prostituição e no poliamor onde essas conversas são uma necessidade no desenvolvimento de uma relação com outra (ou outras) pessoa.

Um dos principais objetivos do meu site MadisonBound.com é desmistificar BDSM e retratar um dia na vida do casal pervertido do quarto ao lado. Eu faço MadisonBound junto com meu parceiro de 7 anos, James Mogul. James e eu nos revezamos dirigindo cenas diferentes, editando, fazendo o trabalho de câmera. Ele apóia a minha visão para o nosso site e minha rede de web sites de FeministPorn Network.

BDSM é baseada no consentimento, na comunicação e no respeito pela pessoa com quem você está jogando. Há uma grande diferença entre falar com seu parceiro sobre como você gosta de ser espancado, quando você está prestes a ter um orgasmo e seu chefe no escritório espancar sua bunda enquanto você anda fora de seu escritório.


Conte-me sobre a evolução da Femina Potens.

Femina Potens é uma organização de artes sem fins lucrativos que foi fundada em 2000. Nós começamos com uma pequena galeria de arte em uma garagem em San Francisco dedicada à divulgação de mulheres e artistas transgêneros. Eu tinha 20 anos quando comecei a organização. Desde então, temos mais de 200 exposições com curadoria de arte visuais, performances, exibições de filmes, artistas e diálogos com a comunidade.

Em 2011, com o nascimento da minha filha, lançamos nossa programação juventude gay e só este ano começamos a programar curadorias em Austin, Nova York e Los Angeles, mantendo nossa programação em San Francisco.

Como uma mulher que conhece seu corpo, como foi a gravidez para você?

Minha gravidez foi incrível! Passei mais de um mês no exterior, na Austrália, Amsterdã e Berlim e fui viajando até até quando estava de 9 meses. Eu me lembro de estar grávida de 8 meses, de salto, dirigindo uma cena de ménage à trois gay em um penhasco à beira-mar, escalando árvores caídas e colinas para tirar a melhor foto. Eu me senti tão viva, bonita, feminina e sexy. Foi uma época incrivelmente excitante.


Como isso afetou sua sexualidade?

Como uma "mulher que conhece o meu corpo tão bem," tudo o que eu sabia sobre ele foi direto pela janela. Tudo o que eu sabia sobre como eu gostava de ser tocada, quando, onde, etc, deixou de ser aplicado. Meu corpo e os hormônios estavam constantemente mudando, então eu precisava estar em constante comunicação com o meu parceiro e não tive relações sexuais em frente das câmeras.

Ao longo da minha gravidez, eu realmente gostava de sexo e orgasmos. Meu vibrador Hitachi Magic Wand era um companheiro constante.

Eu era muito aberta com o meu médico sobre o meu trabalho, e ele conversou comigo sobre o comprimento das cordas em relação às performances de bondage que eu faço. Eu encontrei maneiras de ajustar minhas performances de palco com base no meu estado de gravidez. Na verdade, estou trabalhando com vários profissionais de saúde em um guia de sexo pervertido e gravidez.

Mas o meu conselho é ouvir o seu corpo e encontrar os agentes de saúde que você confia e que você pode ser completamente honesto consigo.


A maternidade tem impactado a sua política?

As coisas ficaram muito mais pessoal. Eu quero para minha filha, para suas amigas e futuras amantes, um mundo que celebra a diferença. Estou muito consciente de marcadores de gênero e significantes. Quando a leitura de livros ou identificação de personagens ou animais, não usar pronomes ou dizer que a princesa é uma menina ou o engenheiro de trem é um menino. Em vez disso, identificá-los como amigos ou por suas ações ou carreiras.

Eu compro tanto roupas de menina quanto de menino para Emma, trens, caminhões e bonecas. Eu quero criar um espaço para que ela não sinta vergonha em torno de seu corpo ou para projetar um papel heteronormativo sobre ela.

Adoro viajar e ensinar e dirigir, mas a minha filha é a minha prioridade absoluta. Agora que ela tem mais de um ano de idade eu estou começando a encontrar algum equilíbrio.



Marie Anne de Cupis de Camargo


Marie Anne de Cupis de Camargo (Bruxelas, 1710 — 1770). Marie Camargo foi uma dançarina belga, responsável por muitas mudanças técnicas e de estilos no balé.
Aos 16 anos, fez sua primeira apresentação, no teatro Ópera de Paris, em um balé de Jean Balon, chamado "Caractères de la Dance". Devido ao sucesso, seguiram-se várias apresentações em mais de 78 balés e óperas. Rápida e muito ágil, ela aperfeiçoou os passos com saltos (o entrechat e o cabriole), os quais eram somente executados por homens. Foi também responsável por estabelecer a manutenção de uma perna elevada a 90 graus do quadril. Encurtou as saias de balé, para facilitar a execução de passos mais complexos e possibilitar que fossem mais bem apreciados pela platéia.

La Camargo Dancing, de Nicolas Lancret, c.1730.
Tirou os saltos dos sapatos de balé, facilitando assim a execução de saltos mais complicados. Parou de dançar em 1734, quando tornou-se amante do Conde de Clemont, mas retornou 7 anos depois apresentando-se várias vezes, com enorme sucesso.
Camargo era uma perspicaz mulher de negócios e permitiu que seu nome fosse usado em anúncios de sapatos e perucas. Em 1751 se aposentou com uma pensão do governo francês.

Em 1930 foi fundada em Londres, a Sociedade Camargo, que se propunha a montar a cada ano espetáculos de balé e se possível com obras novas. Esta sociedade conseguiu ajudar a estabelecer o Vic-Wells Ballet, hoje o Royal Ballet.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Débora Arango


Débora Arango (11 de novembro de 1907, 4 de dezembro de 2005) foi uma artista colombiana, nascida em Medellín, na Colômbia. Embora tenha sido essencialmente pintora, Débora também trabalhou em outras mídias, como a cerâmica e a arte gráfica. Ao longo de sua carreira usou sua arte para explorar muitas questões, com conotação política e controversa. Seus assuntos que vão de mulheres nuas, até o papel da Igreja Católica Romana para as ditaduras.

A sua primeira exposição de arte foi em Medellín, numa idade bastante jovem, treze anos. De 1920 a 1950, estudou artes plásticas e pintura em diversas instituições, incluindo o Instituto de Bellas Artes (Medellín, Colômbia ), "La Esmeralda" (Cidade do México, México), e a Escuela Nacional de Bellas Artes. Arango voltou ao Instituto de Bellas Artes, em 1959, como um instrutora.


Ao longo de uma carreira que se estendeu por quase oito décadas, Débora consistentemente desafiou a tradição e provocou polêmica em suas obras. Foram suas pinturas de nus femininos que primeiro instigaram debate. Rotulado como obsceno pela Igreja Católica, eles também foram rejeitados pelos artistas e público. O papel da mulher na sociedade é um tema central em sua obra. Ela representa em seus quadros imagens de mulheres que não eram normalmente vistas, como prostitutas ou mulheres na prisão.


Em 1944, Arango se juntou a um grupo de artistas que, semelhantes aos muralistas mexicanos da época, foram enfatizando a importância da arte pública, em murais, que eram acessíveis a todos. Este grupo escreveu um manifesto de suas idéias que eles apresentaram como "Manifiesto de los Independientes", enfatizando seu desejo de usar a arte para esclarecer o público. Ela também foi uma das primeiras pessoas a usar sua arte para desafiar ocorrupto governo colombiano. Nos anos 1950 e 60, um período chamado de "La Violencia" estava acontecendo na Colômbia. Como o título sugere, a violência era predominante, e o governo foi diretamente responsável por ela.


Déora doou 233 peças de seu trabalho artístico para El Museo de Arte Moderno de Medellín, em 1986. Em 2003 ela foi premiada com a Cruz de Boyaca, a mais alta homenagem na Colômbia. Morreu em 14 de dezembro de 2005, aos 98 anos de idade, e só parou de trabalhar alguns anos antes de sua morte, quando seu corpo simplesmente não mais permitir que ela pintasse.




































sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Carolina Maria de Jesus


Meu Avô

Quando estava contente, cantava:
Cuidado com esta negra!
Que esta negra vai contá.
Cuidado que esta negra
É puxa-saco da sinhá.
Cuidado com esta negra
Que esta negra já contô.
Cuidado que esta negra
É puxa-saco do sinhô.
Esta negra é caçambeira.
Gosta só de espioná.
Esta negra é faladeira
E conta tudo pra sinhá.
Esta negra é perigosa!
Tudo que vê ela fala,
E a sinhá fica nervosa
E nos prendem na senzala.


Carolina Maria de Jesus nasceu em Minas Gerais, em 1914, numa comunidade rural onde seus pais eram meeiros. Filha ilegítima de um homem que já era casado, foi tratada como pária durante toda a infância, e sua personalidade agressiva não fez nada para aliviar a situação. Quando chegou à idade de sete anos, a mãe de Carolina forçou-a a frequentar a escola depois que a esposa de um rico fazendeiro pagou as despesas para Carolina, bem como outras pobres crianças negras no bairro. No entanto, ela parou de freqüentar a escola pelo segundo ano, mas aprendeu a ler e escrever. Ela mal sabia na época, essas coisas desempenhariam um papel muito importante na sua vida adulta. 

A mãe de Carolina tinha dois filhos ilegítimos, o que ocasionou sua expulsão da Igreja Católica enquanto ela ainda era jovem. No entanto, ao longo de sua vida, ela foi uma católica devota, mesmo nunca tendo sido readmitida na Igreja Católica. Em seu diário, ela muitas vezes fez referências bíblicas, e à Deus:
"...Eu dormi. E tive um sonho maravilhoso. Sonhei que eu era um anjo. Meu vestido era amplo. Mangas longas côr de rosa. Eu ia da terra para o céu. E pegava as estrelas na mão para contemplá-las. Conversar com as estrelas. Elas organizaram um espetáculo para homenagear-me. Dançavam ao meu redor e formavam um risco luminoso. 
Quando despertei pensei: eu sou tão pobre. Não posso ir num espetáculo, por isso Deus envia-me estes sonhos deslumbrantes para minh'alma dolorida. Ao Deus que me protege, envio os meus agradecimentos."

Em 1937 sua mãe morreu e ela foi forçada a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina fez sua própria casa, usando madeira, lata, papelão, e qualquer outra coisa que pudesse encontrar. Ela iria sair todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família. Quando ela encontrava revistas e cadernos antigos, guardava para escrever dentro Ela começou a escrever sobre seu dia-a-dia, sobre como foi morar na favela. Isto irritava seus vizinhos, que não eram alfabetizados, e por isso se sentiam desconfortáveis por vê-la sempre escrevendo, ainda mais sobre eles.

Teve vários casos amorosos quando jovens, embora tenha se recusado a casar-se, por ter visto muita violência doméstica na favela. Ela preferiu permanecer independente. Todos os seus três filhos tinham pais diferentes, um dos quais era um homem rico e branco. Em seu diário, ela detalha o cotidiano de favelados e, sem rodeios, descreve os fatos políticos e sociais que ordem as suas vidas. Ela escreve sobre como a pobreza e o desespero pode levar as pessoas de alta autoridade moral a comprometer seus princípios, honra, e a si mesmos simplesmente para conseguir comida para si e suas famílias. Não há nenhuma chance de economizar dinheiro, pois quaisquer ganhos extras devem ir imediatamente para pagar dívidas.




O Diário de Carolina Maria de Jesus foi publicado em agosto de 1960. Ela foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, em abril de 1958. Dantas estava cobrindo a abertura de um pequeno parque municipal. Imediatamente após a cerimônia uma gangue de rua chegou e reivindicou a área, perseguindo as crianças. Dantas viu Carolina de pé na beira do playground gritando "Saia, ou eu vou colocar você em meu livro!" Os intrusos partiram. Dantas perguntou o que ela queria dizer sobre seu livro. Ela se mostrou tímida no início, mas levou-o para seu barraco e mostrou-lhe tudo. Ele pediu uma amostra pequena e correu no jornal.
A história de Carolina "eletrizou a cidade" e, em 1960, Quarto de Despejo, foi publicado.



A tiragem inicial de dez mil exemplares se esgotou em uma semana (a wikipédia gringa diz que foras trinta mil cópias vendidas nos primeiros 3 dias). Embora escrito na linguagem simples e deselegante de uma favelada, seu diário foi traduzido para treze idiomas e tornou-se um best-seller na América do Norte e Europa. Mas não foi somente fama e publicidade que Carolina ganhou com a publicação de seu diário, mas desprezo e hostilidade de seus vizinhos. "Você escreveu coisas ruins sobre mim, você fez pior do que eu fiz", gritou um vizinho bêbado. A chamavam de prostituta negra, que tinha se tornado rica por escrever sobre a favela, mas recusou-se a compartilhar do dinheiro. Junto com as palavras dos vizinhos cruéis, as pessoas jogavam pedras e penicos cheios nela e em seus filhos. As pessoas também estavam com raiva porque ela se mudou para uma casa de tijolos nos subúrbios com os ganhos iniciais do seu diário. "Vizinhos se juntaram ao redor do caminhão e não deixá-la partir. "Você acha que são de classe alta agora, não você", eles gritavam. Os vizinhos locais desprezava mesmo que a alta realização de seu diário aumentou o conhecimento dessas favelas ao redor do mundo. Para vizinhos locais Carolina esta publicação foi uma contusão de seu modo de vida.


A filha de Carolina, Vera, afirmou em entrevista que sua mãe sempre gostou de ser o centro das atenções, e aspirava a se tornar uma cantora e atriz. No entanto, apesar de seus esforços para o fazer, a editora informou-lhe que isso não iria beneficiar e que ela deveria continuar a escrever seus livros. Além do Quarto de Despejo, escreveu também Casa de Alvenaria (1961), Pedaços de Fome (1963), Provérbios (1963) e Diário de Bitita (1982, póstumo). Ela morreu em 1977, aos 62 anos.