sexta-feira, 25 de maio de 2012

Margaret Sanger


Margareth Sanger nasceu em Nova Iorque, em 1879, a sexta de onze filhos. Sua mãe era uma católica devota, e engravidou 18 vezes durante sua vida. Seu pai também era católico, mas se tornou ateu e ativista para o sufrágio feminino e educação pública e gratuita. Aos 14 anos, depois de uma infância dedicada aos afazeres domésticos, suas irmãs juntam dinheiro pra que ela estude num internato de Nova Iorque, por dois anos.


Aos 20 anos a mãe de um amigo consegue matriculá-la em um curso de enfermagem em um hospital da região. Desenvolveu tuberculose, resultado de todos os anos cuidando da mãe. Casou-se com um arquiteto e foi morar num bairro mais afastado. Em 1912 um incêndio destruiu sua casa, o que forçou sua mudança para o centrão de NY, começando a trabalhar em favelas do East Side de Manhattan. Nessa época, ela e o marido mergulharam na cultura bohêmia radical que florescia em Greenwich Village. Escreveu artigos sobre higiene sexual para uma revista socialista chamada New York Call.


1913 marca uma grande virada em sua vida. Conta-se a história de que, enquanto trabalhava como enfermeira,  foi chamada para atender uma mulher em seu apartamento. Estava muito doente, pois tinha feito um aborto auto-induzido. Ao perguntar para o médico o que poderia ser feito para evitar esse tipo de situação, ele respondeu que a abstinência era a solução. Alguns meses depois, Margaret foi chamada novamente ao mesmo apartamento, pois a mulher havia feito um aborto novamente. Mas dessa vez ela não resistiu e morreu. Desde então Margaret se decidiu por nunca deixar outra mulher morrer sob seus cuidados por falta de conhecimento para controlar a natalidade.


Em 1914 lançou um boletim mensal de 8 páginas chamado The Rebel Women, onde promovia a contracepção, e cujo slogan era "não há deuses, nem mestres". Em colaboração com os amigos anarquistas, Margaret Sanger cunhou o termo 'controle de natalidade', pra lidar mais diretamente e com menos eufemismos com relação a questão. Nesses meados dos anos 10 era proibido por lei abordar essas questões em publicações, pois eram enquadradas como obcenidades. Em 1914, caçada pela justiça americana, fugiu sob pseudônimo para a Inglaterra, mas voltou no ano seguinte. Em 1916 a justiça retirou as acusações contra ela, por pressão popular.


Durante o tempo que passou na Europa, entrou em contato com uma mentalidade muito mais aberta as questões concernentes a contracepção. Começou a importar, clandestinamente, diafragmas da Europa pros EUA, e publicou O Que Uma Garota Deve Saber, que fornecia informações básicas sobre higiene e sexualidade. Ainda em 16 abriu uma clínica de planejamento familiar e controle de natalidade no Brooklyn, a primeira do tipo nos Estados Unidos. Nove dias depois de inaugurada, Margaret foi presa por desrespeitar as leis de Nova Iorque, e pegou 30 dias num sanatório. O juiz considerou que as mulheres não tem "o direito de copular com um sentimento de segurança de que isso não resultará em concepção".


Pra finalizar (já tá ficando grande demais esse texto), em 1921 Margaret fundou a Liga Americana de Controle de Natalidade, e mais tarde o Bureau de Pesquisa Clínica, que desenvolvia pesquisas na área. Escreveu livros, proferiu diversas palestras (em igrejas, escolas, clubes da Klu Klux Klan, e por aí vai), até morrer em 1966, de insuficiência cardíaca.


Ah, só mais uma coisinha. Há muita gente dizendo que ela era racista, o que não é de todo verdade. Ela acreditava na superioridade dos genes brancos, mas não discriminava nenhum negro, tanto que foi até elogiado por Martin Kuther King. Era também adepta da eugenia negativa, mas uma pesquisa mais atenta mostra que não há nada de nazista em suas idéias. E - a questão mais controversa - ela nunca defendeu o aborto. Sempre o controle de natalidade. Somente após sua morte que a Liga passou a apoiar o aborto.



4 comentários:

  1. O "legado" desta mulher mais evidente foi o nazismo.

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  2. Conheci recentemente a história de Margareth Sanger e desde então estou buscando mais informações sobre esta mulher inspiradora e controversa. Obrigada por contribuir.

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  3. Simpatizante da Ku Klux Klan e criadora do termo "Controle de Natalidade". As pessoas de pele negra devem gostar um bocado dela né?

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  4. Ela acreditava na superioridade dos genes brancos, mas não discriminava nenhum negro, tanto que foi até elogiado por Martin Kuther King.
    Acho que isso respondi


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